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Medo de abandono e propriedade

“Viver frustrações, ouvir ‘nãos’, ficar bravo ou triste, levar bronca, perder alguém ou alguma coisa… Tudo isso faz parte da vida e nos fortalece diante de circunstâncias difíceis. No entanto, algumas situações na infância, quando mal conduzidas, podem doer mais do que deveriam e marcar para sempre a nossa forma de ver e estar no mundo. Não é “mimimi”, como dizem por aí. É real. Existem experiências que vivenciamos que nos magoam e nos fazem, muitas vezes, mudar comportamentos. Se acontece dessa forma conosco, os adultos, com as crianças não é diferente.”

Assim inicia-se um artigo que li esta semana. Pertinente e interessante, vamos a ele:

 A primeira ferida emocional é o medo do abandono. Crianças negligenciadas por adultos, se não forem acolhidas por uma ou mais pessoas que se tornem suas referências cotidianas, terão dificuldade em estabelecer relações duradouras. O que é mais provável de acontecer é que, inconscientemente, acabarão abandonando seus pares, antes de novamente serem deixadas para trás. Por isso o vínculo, mais uma vez, é essencial!!

Referências cotidianas, são as pessoas que estão sempre com os bebês: mães, tios, avós ou cuidadores, que devem passar a sensação de permanência da presença, e assim, tornam-se referencia para o futuro adulto. Mas atenção: Quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade!!!!

Mais uma complicação: como saber se a qualidade do que estou dando é suficiente, pois nem sempre o necessário é suficiente.

Por que? Cada pessoa nasce com uma personalidade, é um indivíduo único com necessidades e características próprias.

Com reações e demandas particulares e muitas vezes difíceis de serem percebidas, pois cada um tem seus registros e demandas pessoais, intrínsecas a cada um. Problemão, né?

Com certeza.

A essência de cada um permanece, pois crescemos e vamos em busca daquilo que precisamos completar internamente, apesar de nos “distrairmos desta busca” com muita frequência.

O que quero dizer com distração? Tentar ser algo que não sou, muitas vezes para agradar o parceiro, conseguir um emprego… ou seja, desenvolvemos um falso self social e cultural, necessário, porém o ideal seria fazê-lo consciente de que é apenas para uso externo e assim procurar ficar perto da própria essência e não perdê-la de vista. Como se fosse uma maquiagem.

Vivemos numa sociedade consumista e rápida demais. Os fatos transcorrem de forma instantânea.

A tecnologia desenvolveu-se muito, mas o processar de novas experiências, internamente, toma o tempo necessário da mesma forma que antigamente, ou seja, o descompasso entre mundo externo e interno continua igual. A natureza humana, pouco mudou!

Continuamos com medo de abandono, uns mais, outros menos, mas isso não nos permite achar que somos donos de quem quer que seja. Cada um com suas singularidades, por isso conviver é uma arte difícil de alcançar, mas com tranquilidade fica mais fácil!

Miriam Halpern
Psicologa e psicanalista
mhalperng@gmail.com