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As reguladoras de moral

Esta semana assisti ao filme The End que no Brasil foi lançado como Histórias Cruzadas; o filme conta a história de empregadas negras com suas patroas brancas num Estados Unidos que debatia fortemente a questão racial com Martin Luther King indo para as ruas e promovendo rupturas na cultura regente.

O filme se foca nos personagens femininos e oferece estereótipos bem marcados da mocinha e da vilã. Embora acredite que nenhum ser humano seja só sombra nem só luz, neste caso facilita o ponto que desejo trazer para reflexão esta semana: as mulheres como reguladoras da moral familiar e social.

O magistério caiu nas mãos das mulheres no final do século XIX e foi se consolidando ao longo do século XX. A responsabilidade do papel social em ser quem orienta e ensina – algo que não existia antes do século XIX – facilitou a criação da crença que a mulher é uma das zeladoras da moral regente no lar e na sociedade no século XX. Crença que ainda exerce seu poder em nós.

Ser a zeladora da moral é um dos fatores para que em algumas sociedades a ‘boa’ mulher seja aquela que é rígida, séria, focada em controlar e orientar. A questão de ser a que orienta não é o problema, muito pelo contrário, embora acredito que seja dever do casal fazer esse autocontrole; mas a questão maior é quando isso se faz de forma rígida e existe uma prontidão para o julgamento.

Ninguém é perfeito e num mundo cada vez mais complexo, onde diversas variáveis precisam ser levadas em consideração, para poder fazer algum tipo de avaliação sobre uma situação ou sobre alguém, é necessário ter a flexibilidade e abertura para entender que existem outras verdades e realidades. Que não é uma questão de estar certas ou erradas, mas de entender que neste mundo em transição o que serve para mim e para minha família, pode não servir para outra, tão boa como a minha minha. Se tivermos esta postura, poderemos continuar ajudando a manter a moral que desejamos para nossa família, sem nos tornarmos as mulheres rígidas e preconceituosas que vemos no filme Histórias Cruzadas.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br