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Direitos iguais? A equidade começa em nós.

Estou voltando do Canadá encantada com a cultura que o país conseguiu desenvolver, uma cultura que valoriza fortemente a equidade (o respeito a igualdade de direito de cada um) acima de tudo. Penso na mulher que nasce e é criada numa sociedade em que é considerada igual no sentido do direito e deveres, e reflito como estamos longe de chegarmos nesse estágio de civilização. Na nossa sociedade latina nós mulheres nos sentimos diferentes dos homens – e somos, claro – mas na nossa cabeça as diferenças que nos separam deles não são biológicas, mas de universo. Universos paralelos que convivem juntos, mas que não se cruzam, e muitas vezes não se entendem.

O nosso comportamento como mulheres é expressão de crenças e valores muito antigos que temos sobre o que é ser mulher. Temos lutamos incansavelmente para tirar de dentro de nós esse legado, mas devemos confessar que ele nos persegue como a sombra de nós mesmas; por isso, mesmo após tanto esforço, toda mulher tem como modelo do feminino alguém delicado, dócil, amoroso, compreensivo, dedicado e… magro.

Para quebrar com uma situação que nos oprimia fomos progredir profissionalmente. A independência financeira nos deu poder de decisão e atuação. Hoje, quase a metade das famílias brasileiras é sustentada por uma mulher. Chegamos longe, ocupamos lugares de destaque na sociedade e ganhamos auto-estima mas o modelo feminino, aquele que descrevi acima, continua agindo em nós. Fingimos que não o queremos mais, que ele não tem nenhuma influência em nós, mas ele está lá, latejando incansavelmente dentro de nós.

O resultado? Um certo sentimento de inadequação social o tempo inteiro. Sabemos de nosso valor como ser humano, de nossa força criadora e realizadora, mas é como se estivessemos errando o tempo inteiro. Talvez seja por isso que somos tão neuróticas com a perfeição. Queremos tudo certo, tudo perfeito. Talvez por isso precisamos tanto de nos auto-afirmar falando o tempo inteiro que somos o máximo.

O fato é que se não curarmos esse sentimento de inadequação social, se não reprogramarmos esse modelo mental do que é ser feminino e aceitarmos que o modelo é mais amplo, bem mais amplo; dificilmente iremos nos colocar com igualdade de direitos e deveres. Para caminharmos para a equidade social devemos nos sentir, nós mesmas, adequadas socialmente do jeito que somos. Que não somos nem mais nem menos que os homens, mas iguais nas nossas diferenças. Talvez eles não ajudem muito para nos sentir inseridas, mas creio profundamente, que parte de nós nos sentir parte do mundo, não deles, mas o de todos nós.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
Escreve semanalmente sobre as transformações que estamos vivendo como sociedade no blog Movimentos Humanos em www.behavior.com.br