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Elis Regina – a vida e o filme

Esta semana assisti o filme Elis, sobre a vida da cantora Elis Regina. O filme apresenta uma mulher forte, viva. Elis vivia com poucos filtros e proteções o que devia facilitar sua conexão direta com todo o potencial de energia que a vida é. Difícil lidar com tanta força. Sua voz potente e seu canto visceral apresentam claramente essa conexão que a transformou no raro tipo de cantora que “canta com o útero”, como seu ex-marido, o maestro César Camargo Mariano, dizia sobre ela.

Conhecer um pouco mais de Elis me fez pensar nas mulheres que conheço que tem essa conexão com a energia vital de forma tão direta que vão para a vida com uma inquietação, um desassossego constante. O fluxo de criar, de gerar, de sair do estabelecido é tão intenso que mostram-se periodicamente insatisfeitas com tudo, especialmente quando tudo parece estar indo muito bem. Sabe aquelas mulheres que parecem nunca saber o que querem, mas sabem perfeitamente que o que está ao seu redor não lhes satisfaz? Como se a normalidade e a rotina as aborrecesse? É como se a normalidade promovida pela nossa cultura que educa para controlar emoções e inibe a espontaneidade como se fosse algo perigoso mas relações, angustiasse a alma dessas mulheres. Há um pavor em se acomodar e ficar entorpecida.

Como acalmar uma alma tão intensamente conectada com o fluxo da vida? Como evitar que tanta energia se torne autodestrutiva? Difícil. Se for pelo caminho das bebidas e drogas, como infelizmente Elis Regina seguiu, o final não se apresenta muito feliz. Quando se tem tanta energia viva dentro de nós, difícil saber quando parar. Se for pelo caminho de experimentar todo tipo de vida e amores, pode gerar muita dor ao redor. Mas se pensar somente nos outros, como aplacar essa alma que insiste em pulsar? Como trabalhar essa energia que desassossega sem matar sua força criativa?

Penso que educando a energia vital não é o melhor caminho, se isso significa controle. Cada vez mais estou convencida que o controle ao invés de aproveitar a energia vital, aos poucos, a mata, deixando as pessoas com uma certa aceitação apática da vida que se apresenta. A insatisfação e o incômodo são necessários para manter a vida viva em nós.

Então como encontrar o ponto de equilíbrio? E será que ele existe? Talvez o relevante em refletir seja o que é mais verdadeiro dentro nós: viver com plenitude a força vital que há em nós, mesmo que isso gere instabilidade; ou, diminuí-la consideravelmente, mesmo que com isso corramos o risco de apagá-la. Como sempre a resposta certa é aquela que é a mais honesta com nosso sentir.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br