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Ah… esses homens…

Vamos falar esta semana dos homens. Dizem que mulher adora falar de homem, eu creio que mulher adora falar de tudo, mas sem dúvida homem é um tema interessante e instigador. Nos meus estudos tenho buscado algo que positive (que lhe dê valor positivo na esfera social) o homem nestes tempos contemporâneos. Algo que faça ele ter real orgulho da sua identidade masculina sem ter que recorrer a ambientes machistas e ao poder subjugador intrínseco neles.

Nas últimas décadas temos acompanhado como os homens tem perdido muito de seu valor social ao mesmo tempo que a mulher só tem ganhado reconhecimento e notoriedade. Na gangorra social, o homem tem se dado mal. Isso porque existe uma crença social que as mulheres são melhores que os homens: multitarefas, dedicadas, detalhistas, resolvidas, corajosas são alguns dos adjetivos positivos que qualificam as mulheres. Meio brincadeira, meio verdade, os homens (e mulheres) se curvam a essas frases feitas, reconhecendo essa (quase) supremacia feminina tão exaltada hoje pela mídia. Posso dizer que somente nos círculos onde o poder subjugador – e por consequente machista – é valorizado, os homens possuem seu valor social inquestionável. Sei que ainda esses círculos são muitos, mas vamos convir que se eles precisam do poder para não serem questionados é porque talvez não estejam tão seguros assim… O fato é que, aos poucos, esses círculos estão parecendo cheirar a naftalina para boa parte da população.

A importância de positivar o homem tem a ver com a necessidade de equilibrar as forças masculinas e femininas, que acredito seja necessário para facilitar a formação do relacionamento romântico-companheiro feliz. Podemos ter nosso ego bem alimentado nos sentindo superiores, mas numa relação em que um é superior – e o demonstra constantemente – dificilmente será possível construir uma relação romântica-companheira feliz porque ela exige equilíbrio.

Uma das maiores dificuldades em positivar os homens sem ter que usar o machismo é histórica: por milênios eles tem ocupado lugares de destaque na sociedade. Isso fez com que acreditássemos que possuem um quê de majestade. De direitos diferenciados. Alguns até acreditam mesmo que deveriam ser tratados como reis e a busca pelo novo papel social passa, infelizmente, de alguma maneira por retomar esse privilégio.

Só que esse novo rei não quer reinar sozinho pelo ônus que isso significa. E aí, ele quer o posto de majestade, tendo seus desejos atendidos, mas sem a responsabilidade de ser o único provedor e o sábio. Fácil, não é? Para resolver essa equação um dos caminhos perigosos que os homens – e mulheres – tem encontrado é ele virar quase um filho da mulher, que vira uma grande romântica-companheira-mãe que trata de proteger, dirigir e, principalmente, desculpar o seu homem.

Nesse modelo o homem fica sem tanta responsabilidade – já que ele é filho – e a mulher fica no seu posto de superioridade – já que é mãe. Só que a relação deles não é essa. Numa relação romântica-companheira, a principal característica é o companheirismo não só no lazer mas também na divisão de tarefas e responsabilidades. Assim, pelo caminho mais torto possível, se tornando o companheiro-filho, o homem consegue manter a sua majestade, fazendo o que deseja, contribuindo pouco, abrindo mão das tarefas chatas que toda vida a dois traz consigo. Nesse contexto, o que de fato ganhamos em comparação ao mundo das nossas mães?

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br