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Quando teu companheiro paquera outra mulher, é ela a responsável?

Sabe o que é uma crença? É uma afirmação que você acredita tão profundamente que ela conduz as tuas escolhas. Toda sociedade tem crenças e mitos. Eles refletem valores cultuados pela sociedade em que vivemos – cidade, país, cultura – e nossa micro sociedade – família, amigos, trabalho. Eles são importantes para estruturar a nossa ética perante a vida, criam parâmetros do que consideramos certos e o que consideramos errado e ajudam a criar idéias sobre nosso futuro. Justamente por serem tão relevantes é sempre bom questioná-los periodicamente e verificar se eles refletem o que realmente acreditamos ou simplesmente são heranças sociais e familiares que carregamos sem saber.

Vamos falar de uma crença feminina que ainda insiste em continuar: a que mulher é sempre – ou quase sempre – uma ameaça para outra mulher. A construção da ideia de desunião feminina pode ter sido criada como ferramenta para enfraquecer a força feminina. Historicamente – embora isso ainda aconteça em muitas sociedades – num ambiente machista–opressor ter um homem, ou ser a preferida/oficial de um, podia trazer algum ar fresco a uma vida sem luz. Nesse contexto a luta feminina – nem sempre leal – por ter um homem podia ser uma situação de sobrevivência. Com o passar dos séculos, fomos carregando a ideia que mulher compete com mulher.

Obviamente aqui não me refiro às mulheres competitivas que possuem o prazer de ganhar de outra mulher para sentirem que valem mais – e é sempre bom lembrar que isso também acontece entre os homens! Nem a aquelas que consideram que uma aventura fora do relacionamento não tem mal nenhum. Meu ponto são mulheres que querem viver seu grande amor e construir uma vida romântica-companheira junto a um homem só e desejam reciprocidade.

As mulheres quando sofrem assédio, mesmo que somente visual, de homens com quem convivem são penalizadas com a crença que mencionei; quem vocês consideram que é vista como a responsável por aquele homem se mostrar interessado, mesmo que na fantasia dele? Você acertou, nós mulheres consideramos que a responsabilidade é da mulher.

Porque responsabilizamos as mulheres e desculpamos os homens? Porque mantemos viva a crença que a mulher é a responsável por todo o mal que acontece na humanidade? Se pensarmos bem, mesmo que a mulher esteja paquerando nosso companheiro, cabe a ele a responsabilidade de se posicionar, assim como nós mulheres o fazemos perante paqueras impertinentes, não é mesmo? Mas se você é do grupo que pensa que o homem é fraco por natureza – se essa crença te acompanha – talvez você tenha que refletir porque você alimenta essa crença tão antiga e não se abre para novos tipos de relacionamentos em que homens fortes de caráter estão cada vez mais respeitando suas companheiras como elas esperam.

É claro que a gente escolhe a matriz de crenças que carregamos para a vida. Muitas das mulheres que ouvi que aceitam as traições dos companheiros é porque creem que as mulheres tentam roubá-los delas e/ou porque consideram os homens são fracos; sentem-se mais vitoriosas – e poderosas – quando, mesmo com esses deslizes masculinos, eles continuam com elas. Por isso vale pena pensar, qual é tua crença de vitória e de força feminina: manter um homem apesar de todas as ameaças? Ou ter ao teu lado um companheiro forte que te seja leal? O que te faz sentir mais mulher.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br

Ser mãe, profissional, esposa, mulher, filha… qual papel você foca

Existe uma expressão em inglês que significa troca e que usamos quando precisamos fazer escolhas: trade off. O que gosto dessa expressão é que nos lembra do que estamos abrindo mão e não só do que escolhemos.

As empresas descobriram que a diversidade (gênero, idade, raça, etc.) é vital para serem inovadoras e consequentemente bem sucedidas, assim o tema mulheres em cargos de liderança está em todo lugar. Virou tema e meta corporativa. Tenho lido bastantes depoimentos de executivas que contam suas experiências na tentativa de encorajar outras mulheres a seguirem seus passos. Por outro lado tenho conversado com mulheres de diversos níveis hierárquicos e faixas etárias e percebido que elas não estão convencidas que a escalada hierárquica seja o caminho futuro.

Os motivos são vários e vou trazê-los aos poucos aqui para refletirmos os novos valores da mulher contemporânea, mas hoje meu foco será na valorização que os filhos – e o exercício da maternidade – ganharam nas últimas décadas na nossa escala de prioridades. A maioria das mulheres executivas que conheço lida com a maternidade com uma visão prática sobre a tarefa que é criar filhos – o mundo corporativo nos ensina a sermos mais práticos e simplificar as coisas para lidar com tantas responsabilidades. Focam-se no que é vital, no que consideram realmente importante, delegam e compartilham bastante, tudo com muito amor e atenção, e abrem mão do resto que compõe o exercício da criação de filhos (obviamente não sem sua devida dose de culpa).

As mulheres que optam por ser prioritariamente mãe quase em tempo integral traz para o lar uma mãe mais presente – sem dúvida! – atenta e dedicada. A educação e cuidado com os filhos são outros, não podemos negar.  As crianças sentem e a família e o lar também. Isso signifca que é melhor? Garantia de filhos saudáveis, prontos para enfrentar a vida? Depende. Ambos exemplos tem seus pontos fortes e fracos.

No caso das mães que ficam em casa ou só fazem trabalhos informais, percebo que o expectro de assuntos e informações costuma ficar menor pela própria falta de interação com outros universos mais distantes. Nesse ambiente mais controlado, as coisas pequenas ficam maiores e profundas. Costuma faltar a leveza que a praticidade traz. Costuma haver superproteção ou pouca compartilhamento de tarefas e responsabilidades. Surge, normalmente, uma mãe mais cansada e estressada.

No caso das mulheres que são profissionais e trabalham em empregos formais costumam trazer uma amplitude de possibilidades muito maior para seus filhos, isso abre um universo de possibilidades para essas crianças, mas o volume de atenção é limitado. Na boca dessas profissionais é comum ouvir falar em qualidade ao invés de quantidade. Sim, pela praticidade elas escolhem o que consideram melhor no volume diário de demandas que as crianças cobram, mas não podemos negar que é menor o olhar da mãe sobre os filhos. Assim, essa expressão qualidade ao invés de quantidade tem seus buracos negros.

A equação de ser mãe & profissional não nasceu para ficar equilibrada. É uma conta que não fecha. Pelo menos por enquanto. E aqui nem estou abordando a divisão de tarefas por parte dos pais que anda crescendo consistentemente mas que ainda é visto por muitas mulheres como uma ajuda agradável, o que traz em si o tom de favor e não da responsabilidade pelos 50% que lhes corresponde.

O ponto de reflexão é que precisamos aprender a escolher, fazer nosso trade off, sabendo que vamos perder algo. É necessário decidir do que você é capaz de abrir mão sem sofrer e sem se sentir tão culpada – este caso vale a pena entender de onde vem a culpa. Fazer seu próprio trade off, já que a resposta é individual. O mundo perfeito da forma como o fomos formatando nas nossas mentes está muito longe de ser possível e isso gera em todos nós um sentimento profundo de insatisfação, falta de plenitude, insucesso, e, no caso das mães, culpa. Quanto mais fizermos escolhas com lucidez amorosa, mesmo que as vezes nos entristeça alguns resultados, conseguiremos ter tranquilidade para continuar o caminho escolhido, sabendo que ele não é perfeito mas é o melhor que conseguimos fazer e oferecer para nossos filhos.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br

O compromisso de ser mulher…

Venho pensando, já há muito tempo, sobre o que é ser mulher. Temos o dom e a responsabilidade de continuar a espécie.

Isso por si só já é um ônus pesado e a meu ver, suficiente para que tivéssemos o respeito de quem quer que seja. Mas não é bem assim.

Há poucos dias, vimos a notícia que, uma das mulheres mais lindas do Brasil, foi agredida fisicamente por seu companheiro de 5 anos. O fato de ser linda e famosa, não a protegeu de ser tratada ou melhor, maltratada por aquele que deveria honrá-la e protegê-la.

Mulheres, por constituição biológica, tem menos força física e assim deveríamos ser amparadas e ter o suporte daqueles com quem vivemos e dividimos nossos momentos e espaço.

É claro que somos humanos (homens e mulheres), e muitas vezes perdemos a razão ou nos descontrolamos, mas mesmo assim, o que seria da humanidade sem nós, mulheres? Extinguir-se-ia?

Como os homens sentir-se-iam potentes e capazes de gerar um filho sem a presença feminina? Sem a colaboração e disponibilidade das mulheres?0000

Presencio, muitas vezes, mulheres competindo entre si, quando o ideal seria unirmos energia e assim podermos ser femininas sossegadas, afinal, não há trabalho mais nobre do que ser responsável pelas futuras gerações e os caminhos da Historia.

Construir as gerações e o futuro, esta em nossas mãos, Mulheres!

Que tal darmo-nos a devida importância e ficar sossegadamente fazendo o que de mais importante existe? Cumprir o que a natureza nos deu de mais significativo que é a feminilidade e o feminino!

Fica a reflexão para vocês!

Até a próxima!

Miriam Halpern
mhalperng@gmail.com
psicóloga e psicanalista