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A utilidade das relações: o convite para uma nova dança

Domingo assisti ao filme Amnésia que me fez lembrar como é importante perceber a utilidade das relações. E como é sábio poder perceber isso no mesmo instante que acontece. Vivemos hoje em dia as relações de formas tão mecanizadas que perdemos a poesia que o encontro com alguém traz.

Costumamos pensar nos relacionamentos afetivos de forma romântica, acreditando que o amor nos une a alguém inexplicavelmente e que a felicidade surge a partir dessa união como um milagre. O que pouco pensamos é o quanto as relações são úteis – e necessárias – para caminharmos pela vida. Mesmo aquelas que nos fazem sofrer.

Pode haver utilidade premeditada, explícita ou não. Neste tipo de relação, quando o interesse não é velado, ambos podem aproveitar dessa troca consciente sem necessariamente cair nas armadilhas do exercício de poder.

Porém, há outras utilidades mais espontâneas.  Aquelas que vêm necessariamente quando nos relacionamos com alguém, especialmente de forma afetiva. Adoro observar o encontro de duas pessoas e como essa aparente casualidade afeta significativamente cada uma delas.

Se tivéssemos a sabedoria de observar e aproveitar os novos ventos que uma pessoa traz às nossas vidas, pararíamos de chorar pelo término das relações que nasceram para partir, e nos alegraríamos por aquilo que conseguimos viver e transformar. Olharíamos as pessoas com mais curiosidade e atenção, abertos à dança que é ofertada num salão bem maior do que poderíamos sonhar. Cada pessoa com quem nos relacionamos tem um dom que pode influenciar diretamente as nossas vidas. É só permitir. É só ficar atento.

Adoraria terminar com a frase que Martha, a personagem principal do filme Amnésia disse a Jo, o jovem rapaz que sonha em ser DJ, mas não quero ser acusada de fazer spoiler.  Se gosta do ritmo e tempo do cinema europeu, recomendo ver esse filme para sair leve e doce, pronto para reconhecer – e agradecer – a utilidade nas nossas vidas das pessoas ao nosso redor.

Leia o texto na íntegra aqui.

Boa semana a todos.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

As reguladoras de moral

Esta semana assisti ao filme The End que no Brasil foi lançado como Histórias Cruzadas; o filme conta a história de empregadas negras com suas patroas brancas num Estados Unidos que debatia fortemente a questão racial com Martin Luther King indo para as ruas e promovendo rupturas na cultura regente.

O filme se foca nos personagens femininos e oferece estereótipos bem marcados da mocinha e da vilã. Embora acredite que nenhum ser humano seja só sombra nem só luz, neste caso facilita o ponto que desejo trazer para reflexão esta semana: as mulheres como reguladoras da moral familiar e social.

O magistério caiu nas mãos das mulheres no final do século XIX e foi se consolidando ao longo do século XX. A responsabilidade do papel social em ser quem orienta e ensina – algo que não existia antes do século XIX – facilitou a criação da crença que a mulher é uma das zeladoras da moral regente no lar e na sociedade no século XX. Crença que ainda exerce seu poder em nós.

Ser a zeladora da moral é um dos fatores para que em algumas sociedades a ‘boa’ mulher seja aquela que é rígida, séria, focada em controlar e orientar. A questão de ser a que orienta não é o problema, muito pelo contrário, embora acredito que seja dever do casal fazer esse autocontrole; mas a questão maior é quando isso se faz de forma rígida e existe uma prontidão para o julgamento.

Ninguém é perfeito e num mundo cada vez mais complexo, onde diversas variáveis precisam ser levadas em consideração, para poder fazer algum tipo de avaliação sobre uma situação ou sobre alguém, é necessário ter a flexibilidade e abertura para entender que existem outras verdades e realidades. Que não é uma questão de estar certas ou erradas, mas de entender que neste mundo em transição o que serve para mim e para minha família, pode não servir para outra, tão boa como a minha minha. Se tivermos esta postura, poderemos continuar ajudando a manter a moral que desejamos para nossa família, sem nos tornarmos as mulheres rígidas e preconceituosas que vemos no filme Histórias Cruzadas.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br