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Mais uma vitória da guerreira: o amor romanticamente maduro

Assisti a um casamento que me emocionou pela sensibilidade dos noivos, pela cerimônia e pelo que representa para as mulheres guerreiras que lutaram muito pelo seu espaço e pelo direito de amar e ser amada como elas são.

Ela, uma mulher de meia idade, daquelas que trabalhou arduamente para subir nas hierarquias corporativas e que teve coragem de brigar por postos como de presidência de multinacional. Se hoje nos queixamos com o machismo dissimulado – muitas vezes nem tanto assim – que segrega e menospreza, pense no que mulheres como ela, tiveram que enfrentar. Criticadas muitas vezes pelas gerações seguintes por trazerem traços firmes perante a vida, pelo pragmatismo e objetividade com que tomam decisões, decepcionam àqueles que associam o feminino a um tipo de delicadeza que pode ser confundir com fraqueza. As mulheres que conheço, como minha amiga, podem ser ou não delicadas, mas com certeza são mulheres fortes, da realização. Mulheres que buscam seus objetivos com a coragem de quem também buscam o colo e o aconchego para descansar e se recompor.

Mulheres assim não são fáceis de namorar. Independentes emocional e financeiramente, esperam um companheiro para compartilhar a vida futura, uma vida agradável conquistada e merecida graças a longos anos de lutas e por todas as situações que tiveram que enfrentar nas suas vidas e carreiras. São mulheres que sabem de seu valor. Não se sentem melhores que outras, mas tampouco se contentam com pouco. Afinal, conseguem viver uma vida feliz, alegre e divertida, mesmo que, às vezes, sintam a falta de um grande amor. Viajam, saem para jantar sozinhas ou acompanhadas, têm um bom e divertido grupo de amigas, amigos e casais para preencher seu tempo livre, namoram e paqueram, mesmo sem compromisso. Para elas o lema que as guia em relação à vida afetiva é: melhor só, do que mal acompanhadas.

Os homens da mesma idade delas que não conseguiram se trabalhar interiormente, e assim poder viver os novos tempos de relacionamentos românticos – e devo dizer que, infelizmente, são maioria –, têm dificuldades em aceitar que a mulher deles não estará ao lado só para aplaudi-los, fazer suas vontades, cuidá-los e desfrutar das coisas que somente eles curtem. Esses homens foram criados numa visão de mundo que os coloca no centro da relação e da família. No pensamento deles, a mulher é feliz acompanhando-os nessa viagem que é a vida a dois. Como se estar com eles já fosse motivo suficiente para a felicidade da mulher. Sabemos que ainda estamos criando homens assim, embora o contexto ajude a gerar um certo desconforto em relação à essa crença o que facilita uma nova perspectiva sobre o papel masculino na relação a dois; entretanto, os homens de 50, 60 e mais anos devido a sua criação realmente acreditam que são o centro da relação. Felizes as mulheres que também possuem a mesma crença, porque fazem o par perfeito. Mas para mulheres como minha amiga, essa hipótese está fora de cogitação.

Lembro que conversei bastante com ela quando estava estudando o Projeto Mulheres, em 2010, que apontava o desejo feminino de se voltar para o amor, de baixar um pouco a guarda. De sair da posição de sabe-tudo que tinha se colocado e a distanciava do amor e da vida que sentia falta. Lembro que minha amiga se incomodava como essa imagem de mulher que eu costumava trazer dos estudos, como se essa mulher lhe passasse uma certa imagem de fraqueza, como se ela não pudesse ser feliz sozinha. Mesmo assim, sempre achei que um grande amor preenche a alma de qualquer um. Sete anos depois,  vemos que o amor venceu, sim, mas condizente com a personalidade de minha amiga. Não a vi

Assisti a um casamento que me emocionou pela sensibilidade dos noivos, pela cerimônia e pelo que representa para as mulheres guerreiras que lutaram muito pelo seu espaço e pelo direito de amar e ser amada como elas são.

Ela, uma mulher de meia idade, daquelas que trabalhou arduamente para subir nas hierarquias corporativas e que teve coragem de brigar por postos como de presidência de multinacional. Se hoje nos queixamos com o machismo dissimulado – muitas vezes nem tanto assim – que segrega e menospreza, pense no que mulheres como ela, tiveram que enfrentar. Criticadas muitas vezes pelas gerações seguintes por trazerem traços firmes perante a vida, pelo pragmatismo e objetividade com que tomam decisões, decepcionam àqueles que associam o feminino a um tipo de delicadeza que pode ser confundir com fraqueza. As mulheres que conheço, como minha amiga, podem ser ou não delicadas, mas com certeza são mulheres fortes, da realização. Mulheres que buscam seus objetivos com a coragem de quem também buscam o colo e o aconchego para descansar e se recompor.

Mulheres assim não são fáceis de namorar. Independentes emocional e financeiramente, esperam um companheiro para compartilhar a vida futura, uma vida agradável conquistada e merecida graças a longos anos de lutas e por todas as situações que tiveram que enfrentar nas suas vidas e carreiras. São mulheres que sabem de seu valor. Não se sentem melhores que outras, mas tampouco se contentam com pouco. Afinal, conseguem viver uma vida feliz, alegre e divertida, mesmo que, às vezes, sintam a falta de um grande amor. Viajam, saem para jantar sozinhas ou acompanhadas, têm um bom e divertido grupo de amigas, amigos e casais para preencher seu tempo livre, namoram e paqueram, mesmo sem compromisso. Para elas o lema que as guia em relação à vida afetiva é: melhor só, do que mal acompanhadas.

Os homens da mesma idade delas que não conseguiram se trabalhar interiormente, e assim poder viver os novos tempos de relacionamentos românticos – e devo dizer que, infelizmente, são maioria –, têm dificuldades em aceitar que a mulher deles não estará ao lado só para aplaudi-los, fazer suas vontades, cuidá-los e desfrutar das coisas que somente eles curtem. Esses homens foram criados numa visão de mundo que os coloca no centro da relação e da família. No pensamento deles, a mulher é feliz acompanhando-os nessa viagem que é a vida a dois. Como se estar com eles já fosse motivo suficiente para a felicidade da mulher. Sabemos que ainda estamos criando homens assim, embora o contexto ajude a gerar um certo desconforto em relação à essa crença o que facilita uma nova perspectiva sobre o papel masculino na relação a dois; entretanto, os homens de 50, 60 e mais anos devido a sua criação realmente acreditam que são o centro da relação. Felizes as mulheres que também possuem a mesma crença, porque fazem o par perfeito. Mas para mulheres como minha amiga, essa hipótese está fora de cogitação.

Lembro que conversei bastante com ela quando estava estudando o Projeto Mulheres, em 2010, que apontava o desejo feminino de se voltar para o amor, de baixar um pouco a guarda. De sair da posição de sabe-tudo que tinha se colocado e a distanciava do amor e da vida que sentia falta. Lembro que minha amiga se incomodava como essa imagem de mulher que eu costumava trazer dos estudos, como se essa mulher lhe passasse uma certa imagem de fraqueza, como se ela não pudesse ser feliz sozinha. Mesmo assim, sempre achei que um grande amor preenche a alma de qualquer um. Sete anos depois,  vemos que o amor venceu, sim, mas condizente com a personalidade de minha amiga. Não a vi sendo tomada por nenhum Complexo de Cinderela, que a pesquisadora Colette Dowling tão bem descreveu no seu famoso livro, e ainda hoje vejo tomar conta de muitas mulheres de todas as idades.

Devido ao fato do noivo, e agora marido, ser estrangeiro e morar no seu país natal, durante alguns anos ela viajou constantemente para fora do país para encontrá-lo e se permitir viver esse amor. Agora, decidiu que irá morar fora, longe de casa, dos amigos e família que ela tanto ama e cuida. Decidiu dar chance à relação se instalar de vez na sua vida, integralmente. Madura e vivida, sabe dos riscos e dos ganhos que está assumindo. Tal vez por isso, durante a cerimônia, mesmo tomada pela profunda emoção ao ter recebido, de surpresa, a aliança da avó do noivo, no momento que o juiz fez menção da decisão dela por manter o nome de solteira, com aquele sorriso largo que lhe é característico disse para os convidados que estávamos mais próximos do altar: “mudar o nome, nunca mais”.

É isso ai: a guerreira casa, ama, se entrega e se dedica, mas continua guerreira.

Ps: A foto do texto é da Magui e do Chris no dia do casamento. 

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

O Homem Sensível e suas – perigosas – vertentes

Marcas de relevância possuem uma responsabilidade imensa neste tempo de transição de valores e crenças sociais. Dois exemplos são os mais recentes comerciais da Axe e da Natura. Eu os considero preciosos por incentivarem a quebrar moldes rígidos que determinavam o que era ser homem até pouco tempo atrás.

Em 2011, conseguimos captar a mudança de valores e crenças sobre a masculinidade na sociedade urbana brasileira. O homem se sentia acuado e tinha optado por calar ao perceber a perda da sua relevância social num período de supremacia feminina. Parte dessa reação se devia ao fato que a maioria não queria o mesmo lugar de poder de antes. Sem espaço e sem saber pelo quê lutar, o silêncio era o que parecia mais adequado para lidar com uma mulher.

Assim, o homem constrói um caminho novo, apoiado pela mulher que cansava também do papel de Sabe-Tudo-Toda-Poderosa.  Era o ano de 2013 e os casais que decidiram baixar a guarda, começavam a formar a Sociedade Par, como denominamos o espaço onde localizamos novas crenças sociais. Foi nesse período que escrevi o Movimento Humano, Microcosmo que trata sobre isso.

Ainda em 2011, um aspecto me chamou a atenção: o espírito de Majestade ainda estava incubado no homem, bastante alimentado pelas mulheres, diga-se de passagem. Meu temor e minha curiosidade como pesquisadora era de como esse espírito se manifestaria nos próximos anos?

O mais básico e óbvio é a figura do Donald Trump. Ele representa o desejo de muitos homens – e mulheres – de continuar no poder mantendo formas e padrões arcaicos. A obviedade do Trump só me confirma que a identidade masculina está mudando a passos largos. A reação firme e quase agressiva da sua eleição costuma acontecer quando a ameaça é grande.

O Homem Sensível já está presente em boa parte das camadas sociais e deverá se multiplicar.  Entretanto, quando aliado ao espírito de Majestade, corremos o risco de considerá-lo tão fofo que podemos voltar a ser quase mães de nossos companheiros.

Ainda, a sensibilidade associada à fraqueza e insegurança, com um toque de irresponsabilidade, pode se tornar o caminho perfeito para a mulher realizadora assumir todas as responsabilidades que deveriam ser divididas. Devemos estar atentos que sensibilidade não significa, em nenhum dicionário, sinônimo de fraqueza.

Leia o texto na íntegra aqui.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog