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Cavalheirismo ou gentileza?

O foco na equidade da diversidade social tem trazido a baia um série de questionamentos sobre a mulher nos dias de hoje e um dos pontos que tenho me perguntado é se o cavalheirismo irá se perder após essa discussão toda. Explico: muitos dos que discursam a favor da equidade de gênero dizem que por traz do gesto cavalheiro há uma crença machista.

Ao tratar a mulher com delicadeza, o homem e a sociedade a colocam num lugar menor. A delicadeza acentua sua suposta fragilidade e isso pode, no fundo, significar que a mulher é inferior pois precisaria de um homem que a cuide e proteja. Sendo protetor, ele pode conduzir e mandar.

Concordo com essa linha de raciocínio pois acredito que realmente, nas suas origens muitos séculos atrás, ela tenha esses fundamentos. Como somos lentos – bem lentos –  para mudar valores e crenças sociais, muitos atuais cavalheiros e suas damas creem que ser mulher tem a ver com ser protegida pelo homem.

Difícil sair desse mecanismo quase automático que temos, nos mulheres, em gostar de uma abertura de porta, um ceder lugar, um levantar quando se chega – existe isso ainda? –  um carregar de pacotes… Sim isso nos fazer sentir mais femininas. E o que é ser feminina no nosso imaginário coletivo se não ser delicada? Como sermos delicadas sem cair na imagem associada há séculos de fragilidade? E aquelas mulheres que evidentemente não são delicadas nos seus gestos e atitudes, não merecem de ter portas abertas, lugares oferecidos?

Por isso gosto de caminhar pela rota da gentileza que se mostra alternativa para o velho cavalheirismo. Pela gentileza abrimos portas e cedemos passagens. Pela gentileza puxamos cadeiras e carregamos pacotes; e isso independe de gênero. Basta ser empático, estar conectado com o outro.

Agora, vamos confessar que encontrar homens gentis que não caem na armadilha do cavalheirismo, são maravilhosos, não são?

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br

Sobre coragem e gentileza

Ainda continuando sobre a Cinderela, fiquei com esta frase a semana toda martelando…martelando.
Fui ao dicionário e compartilho com vocês: (Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora)
Coragem> nome feminino
1. Bravura face a um perigo; ousadia
2. Força moral ante um sofrimento ou revés
3. Figurado: energia na execução de uma tarefa difícil; perseverança

Gentileza> nome feminino
1. Qualidade do que ou de quem é gentil
2. Gesto ou comportamento que revela amabilidade; delicadeza
3. Simpatia
4. Elegância
5. Favor.

Parece que a Cinderela mostra força moral ante um sofrimento ou revés. Além de ousadia e bravura. Também elegância, simpatia, delicadeza, qualidade de quem é gentil.
O que chama a atenção é a questão da coragem. Ter coragem é poder arriscar novas experiências, e saber quanta autoestima e confiança posso ter em mim.
E poder ser gentil, também! Onde colocar minha desconfiança e ser gentil com todos? Cinderela é uma história com final feliz (apesar que estes contos sempre acabam no “…e foram felizes para sempre”) e nunca mostram a dificuldade que é conviver com o outro.
Ser gentil com si mesmo, deve ser a primeira condição para ter coragem.
E ter coragem e arriscar? Correr riscos, implica também na responsabilidade das escolhas.
Mas sempre que fazemos uma escolha, que implica em coragem e responsabilidade, nem sempre sabemos as consequências.
Por isso coragem é necessária, pois implica em risco, e gentileza consigo mesmo para aceitar as consequências.
Quanto a Cinderela, não tinha escolha, mas me chama a atenção quando ela cede seu próprio quarto e acaba no sótão!!!!!!
É demais, não acham? Qual o limite entre gentileza e autopreservação? Limites? Enfim… vamos conversando.

Miriam Halpern
Psicologa e Psicanalista
Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanalise de São Paulo  ( SBPSP)
Docente da SBPSP
Membro da International  Psychoanalitical Association of London
Mestra em Disturbios do Desenvolvimento pela Universidade Mackenzie
Membro da IPSO, Paris