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A guerreira equilibrada

Encontrei uma pessoa querida faz umas semanas. Tive a oportunidade de entrevistá-la há vários anos atrás. Ela é a típica guerreira, aquela lutadora que transformou cada prova que a vida colocou no seu caminho num desafio vencido. Jovem, bonita, ficou viúva com filha para criar. Chorou a perda do marido e logo em seguida arregaçou as mangas e foi, literalmente, à luta. Conseguiu um emprego na empresa onde o marido trabalhava. Trabalhou muito, viajando de norte a sul, desbravando uma área desconhecida, cresceu profissionalmente, se empoderou.

Namorou, mas nenhum namorado a conseguia segurar ou… aguentar. Homem para criar ela não queria. Mulher sonsa ela não conseguia ser. Difícil encontrar novamente um companheiro. Ela reconhece que nessa época tampouco tinha muita paciência. Havia tantos assuntos para lidar que a praticidade era necessária na sua vida e, de certa forma, era assim que tratava seus relacionamentos amorosos.

O grande despertar aconteceu quando ela percebeu na filha comportamentos distantes do dela e mais próximos da babá – uma pessoa maravilhosa que dava muito amor a sua filha – e compreendeu que precisava estar mais próxima. Diminuir o ritmo era fundamental. Difícil manter essa posição numa empresa que tem como meta crescer e crescer. A mudança de emprego se fez necessária.

Quando a encontrei ela estava numa empresa menor, com uma equipe embaixo dela menor, o que significa, na prática, pressão menor. Graças a isso hoje consegue ter mais tempo para si e para a filha. E a vida amorosa? Vai muito bem. Depois que diminuiu o ritmo, ela desativou o botão de “tenho que dar conta” e abriu espaço para um homem entrar na sua vida.

Ouvindo-a, a percepção que tive é que a maior mudança dela, foi dar o tempo que o tempo necessita para as coisas acontecerem. Na aceleração para seguir adiante, para lidar com o infortúnio, para garantir um futuro mais seguro financeiramente, vamos atropelando tudo na nossa frente: filhos, família, amigos, saúde, vida pessoal e emocional. Nesse estado, difícil ter uma relação afetiva equilibrada.

Ela sabe da sua força, sabe do que é capaz, mas simplesmente cansou de estar matando um leão a cada dia. Sente que hoje pode produzir de uma outra forma porque o que a guiava antes não era o desejo e a ambição por dinheiro mas o medo de faltar dinheiro. Quando o medo é desativado, o esforço se torna mais equilibrado. A guerreira nela não morreu nem saiu de férias, somente encontrou uma outra forma de se manifestar, mais atenta ao todo, cuidadosa com os que ama e especialmente, cuidadosa consigo mesma.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br