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Repressão e Reprimir

Quando era garota, vivi os tempos da ditadura militar.

Ao mesmo tempo, fico pensando que ditadura lembra prontamente repressão.

Naquele tempo, tínhamos medo de conversar em turma na rua, pois tudo poderia ser reprimido. Evitávamos papos e reuniões ao ar livre. Havia um clima de perseguição e medo.

Muitas vezes, vejo em meu consultório, situações onde a família reprime uns aos outros: ninguém pode estar a vontade, com receio de que será julgado e criticado.

Fui ao dicionário buscar definição de repressão e reprimir, que seguem abaixo:

Repressão:

  • Castigo ou punição que busca reprimir, proibir, controlar ou penalizar
  • Inibição consciente e espontânea de um desejo
  • Ação de reprimir, controlar, conter.

Reprimir:

  • Controlar o ato ou a movimentação de; conter ou suster
  • Conter (algo ou alguém através de ameaças e/ou punição ; proibir.

Em ambos, a origem é o controle: controlar, levar ao poder, mas ninguém pensa na responsabilidade e dano que isto pode causar a gerações e gerações.

O poder e a repressão, inibem a possibilidade individual e a verdadeira e única singularidade, própria de cada um.

Todos nós nascemos com uma natureza: o viver e as relações pessoais, vão moldando cada um e muitas vezes de forma tão brutal, que a pessoa pode perder-se de si mesma, ou seja, ser apenas uma “ fazedora” do desejo do outro e assim distanciar-se de quem é.

Buscar recuperar a propriedade de si, muitas vezes, requer ajuda profissional.

Não é um caminho fácil, mas necessário e possível.

Descobrir-se capaz, confortável dentro de quem é, do que  já esta determinado dentro de si. É uma questão de recobrar a liberdade de ser quem é.

O problema, é que somos  diferentes, singulares. Cada indivíduo com suas características e particularidades.

Assim, preservar a liberdade individual, é dever de todos nós, mas sempre respeitando a individualidade do outro, suas características e peculiaridades.

Muitos acreditam que julgar é mais fácil. De fato é mais fácil julgar o outro que refletir sobre si, mas quando dedico o meu tempo ao julgamento, estou deixando e desperdiçando um tempo precioso onde poderia aproveitar e refletir o que quero para mim e para os meus .

Dilema, não é?

Espero que o Brasil nunca mais tenha que passar por tempos tenebrosos como os que vivi .

O que é conquistado pelo trabalho tem um gosto de vitória inigualável!

Miriam Halpern
Psicologa e psicanalista
mhalperng@gmail.com

Estupro Mental ou Invasões Barbaras

Assunto do momento: o afastamento de José Mayer, artista Global dos mais conhecidos do grande público noveleiro!

Afastado por denúncia de assédio a uma figurinista na empresa em que trabalha e é contratado. Certamente, foi afastado com salario integral (será?), pois gera muitos lucros com suas interpretações televisivas.

Que mundo é este onde o respeito pelo corpo do outro não existe? Qual o limite de onde posso ir, e se posso falar e fazer o que quero sem ao menos reconhecer, não ser proprietário do desejo do outro?

Que mundo mais maluco é este onde bombas e agentes químicos são usados para dominar? O que sera que os mandantes de tal babarei tem na cabeça? Prepotência? Arrogância?

Ao longo do desenvolver do humano, os fortes foram dominando os fracos e assim ficou estabelecido. O domínio pela força existe. Domínio por medo também.

Existe o mito de que homens são mais fortes que as mulheres. Pode ate ser, que fisicamente os músculos masculinos, feitos para caçar e prover a família, sejam mais aptos e mais fortes.

Mas a mulher, que tem a força da maternidade em si, desenvolveu habilidades para viver em um mundo, onde a astucia e sabedoria, pode ter significado importante

Todas temos algum episódio para contar, sobre assédio, desrespeito ou invasão de privacidade. Seja homem ou mulher.

O que é politicamente correto? Certamente, assediar homem ou mulher é totalmente incorreto, pois trata-se de invadir a privacidade do outro, seja com um gesto (físico) ou mesmo com palavras que machucam e marcam, muitas vezes mais do que um gesto concreto.

Esta agressão verbal que chamo aqui de Estupro Mental, vem acompanhada de constrangimento a quem é dirigido ou na atividade de algo improprio ou agressivo, que não deixam marcas físicas.

 Muitas vezes, ficam registros na alma para sempre, e tornam a pessoa a quem esta agressão foi dirigida, um “deficiente”, um incapaz em reagir. Este sofrimento pode converte-se em sintomas físicos: alergias, dores de cabeça, dificuldades em dormir, síndrome do pânico… Esta é a forma de expressão possível, o recurso de cada um.

 Ou seja, somos delicados e suscetíveis a gestos sem filtro. Ninguém esta preparado para receber golpes, críticas constantes e palavras duras e contundentes. Nem mesmo, viver em meio a bombas e destruição. Nem também com desrespeito. Somos o resultado de anos e anos, seculos e seculos do constante lutar pela sobrevivência. Alguns mais resistentes. Outros nem tanto.

O gesto da denúncia feminina ao desrespeito e impunidade foi muito legal! Mas isso não garante que a cultura da violência esteja condenada e caminhando para a extinção.

Nós, como mulheres e seres humanos, devemos continuar a batalhar pelo respeito a individualidade, e, reconhecimento dos limites e necessidades de quem amamos. Talvez assim, cada um cuidando do seu espaço, possamos fazer a diferença e nos proteger de invasões e desrespeitos.

Miriam Halpern
Psicologa e Psicanalista
mhalperng@gmail.com