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O que dizem nossas malas…

Porque será que toda vez que viajo, sempre levo comigo 2/3 de coisas desnecessárias? Sempre mais coisas do que preciso! Além de serem mais pesadas do que posso carregar.

Aliás, o peso deveria ser uma medida do quanto preciso! Começa com a bolsa de remédios, maquiagem, produtos de higiene pessoal. Vejo aquilo tudo e me dou conta que não estou indo para o deserto ou floresta selvagem mas o receio de faltar algo, me assalta.

Pensar que se eu esquecer alguma coisa, posso comprar. Mas mesmo assim, me percebo insegura, temendo esquecer algo importante!

Mas o que é importante verdadeiramente? Tudo o que acredito precisar e nada pode faltar.

Que medo é esse de falta? Falta de que? Que desamparo, e que insegurança?

Minhas malas são a expressão dos meus medos e insegurança.

Livros, chinelos, guarda-chuva, roupa de frio, roupa de calor, pois sabe-se lá o que poderá ocorrer durante uma viagem?

Na verdade, acho que tento levar meu mundo comigo e assim sentir-me segura, garantida que não vou passar por falta, ou dificuldade.

Tenho medo de não estar equipada se algo acontecer, e tento assim levar tudo, pensar em todos os imprevistos e assim ficar garantida e a salvo do meu medo em sair do meu mundo. Nada pode faltar.

Ou seja, dentro da minha mala, levo meus receios representados em objetos possíveis de serem transportados e assim, ao invés de um ursinho de pelúcia, conhecido pelo tato e cheiro, como muitas crianças fazem, carrego em minhas malas, os objetos queridos, conhecidos e que nos lembram quem somos e de onde viemos. E o mais importante, para onde queremos voltar!

Viajar é reconhecer a ausência daquilo tudo que me é familiar e cotidiano, é lançar–me em uma aventura onde a falta pode ser presença, afinal, quem não gostaria de levar sua cama e seus travesseiros?

Ao dar de encontro com um mundo desconhecido, diferente do meu, tenho saudade do meu lugar conhecido, mas também acrescento ao meu repertorio, experiencias novas, inusitadas. Me enriqueço.

Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que nós continuemos sendo. E nossas malas também.

“A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes; O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”. Fernando Pessoa – “Livro do Desassossego”

Boa viagem!

Miriam Halpern

Psicóloga e psicanalista
mhalperng@gmail.com