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Moda, Beleza e Comportamento

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Aparência física: opressão ou fortalecimento?

O debate sobre a importância que as mulheres dão à aparência ainda está longe de acabar. A busca incessante pela magreza e a beleza tem levado muitas mulheres a colocarem em risco sua saúde física, mental, emocional e financeira. Não é à toa que existam aqueles que considerem a exposição massante nas mídias de mulheres belas, jovens e magras como formas modernas de manipulação social e psicológica de mulheres.

É evidente que tantas mensagens midiáticas têm seus efeitos sobre as mulheres e que muitas  entrevistadas no Projeto Mulheres, trouxeram algum tipo angústia relacionada à aparência física. A busca pela beleza e magreza pode tornar-se  mais um checklist  a ‘ter’ que cumprir, na vida de quem tem “mil e uma obrigações”, e que não vive o ‘discurso igualitário‘ na vida real. Mal dá tempo para fazer as obrigações prioritárias, e ainda precisa se cuidar fisicamente, sob o risco de ser recriminada socialmente por não representar ‘a mulher que se ama’, leia-se a mulher moderna.

Porém, foi impressionante constatar que a busca pela beleza – mesmo midiática – ajudou muitas mulheres na últimas décadas a superarem desafios e dores. Significou a oportunidade de retomar, iniciando pelo físico, seu tempo, seu corpo, seu espaço, sua vida. Foi no espaço da beleza que muitas  mulheres encontraram outras e com isso histórias similares e formas de trocas que contribuíram para a superação.

Foi no exercício de se embelezar, que mulheres focadas na sobrevivência financeira ou em se colocar no mundo do trabalho preponderantemente masculino, começaram a lembrar que eram mulheres. Começaram a redescobrir o prazer de se maquiar, de se cuidar, de voltar a ser mulherzinhas.

Quem sabe o cuidado com a beleza também pode ter contribuído, de alguma maneira, para que as mulheres decidissem que era hora de parar e ser mãe de novo? A beleza tem tido um papel muito importante na retomada do feminino pelas mulheres.

Mesmo que tenha sido uma pressão social o ponta pé inicial, no exercício da prática, algo talvez adormecido começou a aflorar.  Aquela mulher mais feminina apareceu e começou a tomar conta de outras dimensões além da beleza, do físico. É só olhar em volta e acompanhar a moda mais floral, com seus vestidos, longos ou curtos, exagerando nas rendas, tricot e bordados. Tudo isso, é claro, acompanhado pelos sapatos de plataformas e saltos altíssimos, para nos lembrar que feminina sim, mas poderosa e dona do seu destino, também.

Leia o texto na íntegra aqui.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

Homens, sempre meninos. Uma leveza a ser reaprendida pelas mulheres.

Toda mulher tem algo a dizer sobre os homens com quem convive. Entre elas e na visão delas, uma lista de coisas em comum. Até onde conseguimos compreender nos projetos que conduzimos, os homens não querem a independência mas a liberdade de viver seus momentos que lhe permita alimentar sua alma: um chopinho com os amigos, jogar uma pelada, dormir sábado a tarde, etc. Como me disse um dos entrevistados do Projeto Homens, “eu sou feliz, livre, na minha gaiola”.

Por que nós, mulheres, nos irritamos com a sensação de exclusão do universo dos nossos companheiros? Pode ser, que a origem dessa irritação venha do julgamento de irresponsabilidade damos a este tipo de atividades.

No meu entendimento, a mulher possui uma habilidade quase genial de realizar diversas coisas ao mesmo tempo. Com isso ela parece ter a necessidade de arrumar o mundo. É quase uma antena ligada ininterrupta que a deixa tensa, vigilante. É assim que muitas vezes encontro as mulheres quando as entrevisto.

No contexto de mudanças, o homem para pra descansar, arejar a cabeça. Essa atitude de parar tudo para se dar prazer, e que no fundo transmite leveza, que o homem tem ganhado espaço. A mulher tem muito a aprender com esse tempo para si e com essa atitude sempre menino que o homem tem e que nós, na behavior, consideramos dois movimentos humanos importantes que estão integrando o casal.

Mas, vale sempre lembrar, que esta atitude não deve se tornar uma fuga para não enfrentar os desafios da vida e amadurecer.

Leia este texto na íntegra aqui.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

As mulheres leais a si próprias

Esta semana minha homenagem no mês das mulheres vai para aquelas que ousaram fazer um caminho diferente do que se esperava delas. Me refiro àquelas que decidiram, por motivos não ligados à saúde, não amamentar; aquelas que decidiram antecipar sua licença maternidade e colocar os filhos na creche para voltar ao trabalho que tanto as nutre e lhes dá prazer; aquelas que decidiram não casar ou morar junto e vivem a vida numa boa namorando mesmo que seja por anos o mesmo homem; ou mesmo aquelas que decidiram não ter filhos e viver somente a dois ou a um, boa parte de suas vidas.

Penso nas mulheres que decidiram manter seu maravilhoso corpo cheinho e vão rindo delas próprias enquanto tentam, sem muito afinco, emagrecer. Aquelas que dificilmente usam maquiagem, pintam a unha, e estão surpreendentemente bonitas e cuidadas; àquelas que usam somente sapatos baixos porque preferem o conforto de preservar a coluna e os quadris. Para essas mulheres fora do sistema, minha homenagem.

Sabe aquela amiga que sempre parece um bicho estranho no ninho? Aquela que parece estar sempre numa outra direção do que da maioria? E não me refiro aqui àquelas que o fazem para levantar bandeiras, para provocar sendo sempre a turma do contra. Não. As mulheres que homenageio esta semana são aquelas que mais do que aceitação ou confronto social, preferem ser fiéis a seus valores porque é isso que as estabiliza, é isso que as mantém vivas.

Gosto de observar essas mulheres e aprender com elas. São mulheres que tem uma firmeza suavizada no olhar, são mulheres que evitam a discussão do certo e errado que tanto as julga porque sabem que será difícil explicar seus motivos para a turma do politicamente correto. São mulheres profundamente conectadas com seu sentir, com o que está dentro delas e não fora; e por isso conseguem transmitir a segurança pacificada de quem sabe o que quer e que, mais cedo ou mais tarde, irá conseguir.

Para essas mulheres, os meus parabéns e minha gratidão por nos mostrar que existem mais formas de viver. Por nos lembrar que a sabedoria para uma vida plena começa com a lealdade com nós mesmos, por aquilo que é mais sagrado em nós: nosso sentir.

Nany Bilate
www.behavior.com.br/blog

As mulheres do saber

Esta semana minha homenagem pelo mês das mulheres vai para aquelas que não param de aprender coisas e temas novos. Frequento cursos, palestras e grupos de estudo há muitos anos, dos mais variados temas, e a presença feminina é maioria, quando não absoluta. Esse desejo de compreender e de saber, de atender a curiosidade que instiga e leva longe, pertence, pelo menos neste século, às mulheres.

Vai em exposições de arte, verá mais mulheres, vai nos cursos livres de história, filosofia, cursos de pós graduação e até graduação das matérias mais diversas, verá mais mulheres. Vai em cursos de degustação de vinho, mulheres. Não importa o assunto, elas estão em todos os lugares disponíveis, ávidas por saber e com isso ampliando repertório e habilidades. Alguns podem comentar que elas tem mais tempo para se dedicar a isso. Sinceramente? Não creio que seja esse o motivo; como sabemos muitas mulheres fazem jornada dupla de trabalho, muitas poderiam estar se dedicando a outro tipo de diversão e lazer – porque sim, o saber para estas mulheres, é uma forma de diversão e lazer. A questão é o que interessa para elas.

Essas mulheres já perceberam o gosto que o saber traz. O saber expande a alma e muda a perspectiva de vida para algo maior. Nos ajuda a relativizar as coisas. Ajuda a tornar os problemas cotidianos menores. Quando vivemos num ambiente reduzido tudo fica maior porque a lupa está muito próxima. As fronteiras estão ao lado, tornando o que está ali, no meio, grande e importante. Por outro lado, quando ampliamos nossa visão de mundo nossas questões pessoais mudam de tamanho, ficando menores dentro do todo. Sabe aquela amiga que sempre está atenta ao que todos fazem e fala o tempo inteiro sobre a vida dos outros? Se ela dedicasse mais tempo a aprender coisas novas, estudar, ela teria menos interesse – e tempo – para falar sobre o que acontece no microcosmo dela.  São tão pequenas as fronteiras de seu microcosmo que falta assunto.

O que me chama prazerosamente a atenção dessas mulheres ávidas por saber é como elas conseguem fazer trocas gostosas com amigas. Como conseguem conversar em praticamente todas as rodas. Como estão inteiradas e bem informadas sobre o que se passa no mundo. Tomar um café com elas é um presente, tamanha a diversidade de assuntos que podem ser tratados. Sempre tem uma novidade. Sempre tem uma informação que melhora teu repertório.

São mulheres despertas, como chamo as pessoas que estão “acordadas” para a vida, mulheres especiais. A tia divertida que vai, com suas histórias, despertando a curiosidade dos sobrinhos; a mãe interessante que abre horizontes para os filhos evoluírem por novos caminhos. Felizes são as pessoas quem, como eu, contam com várias delas ao redor. Sem elas o mundo continuaria sendo pequeno e estreito como uma aldeia medieval.

Nany Bilate
www.behavior.com.br/blog

Mulheres maravilhosas na terceira idade

Hoje é fácil encontrar mulheres acima de 60 anos bonitas, bem cuidadas, com boa saúde e disposição. Boa parte das que conheço viveu (algumas ainda vivem) o mundo corporativo com intensidade. Elas pertencem às primeiras gerações de mulheres que subiram na hierarquia corporativa tendo que abrir espaço com muito esforço num mundo masculino duro e fechado. Muito mais do que é hoje em dia.

Por conta disso, se por um lado, algumas se tornaram um pouco mandonas e com pouca paciência para joguinhos nos relacionamentos, por outro lado, são mulheres de cabeça aberta, disponíveis para novidades e explorar novos territórios, o que as torna ótimas e interessantes companhias. Sempre fico impressionada com a capacidade energética que possuem para realizar uma quantidade assombrosa de atividades.

Com menos pressão, e algumas com a vida ganha, o mundo após os 60 poderia ser um mar de rosas mas o que tenho notado é que costuma não ser (e antes de que alguém levante a mão: óbvio que há excessões). A primeira questão que percebo é que várias delas andam só embora desejassem estar com alguém. São mulheres com dificuldade em arrumar uma companhia masculina à altura delas. Percebo um certo desalinhamento de expectativa de vida entre homens e mulheres, especialmente nessa geração. É como se os homens de mais de 60 quissessem ficar mais calmos e quietos… mais rotineiros talvez.

A segunda questão que tenho notado trata de casais compostos por estas mulheres e seus companheiros que, por algum motivo, não conseguem chegar tão bem dispostos e cuidados na terceira idade. Normalmente mais negligenciados nos cuidados físicos, além da impiedosa e exuberante barriga, eles enfrentam diversos problemas de saúde que lhes restringe as oportunidades de viver uma aposentadoria mais leve e livre.

Assim, várias dessas mulheres, ao invés de estarem desfrutando a vida, teminam dedicando parte dela cuidando de maridos da mesma faixa etária como se fossem idosos 20 anos mais velhos. Claro que não me refiro àqueles que sofreram uma doença inesperada que lhes limitou a qualidade de vida, mas daqueles homens que por descuido mesmo carregam hoje uma terceira idade cheia de limitações e dificuldades. Isso me faz refletir como o cuidado com nosso corpo é uma questão de amor por nós e pelos seres que mais amamos.

Olhando para essas mulheres penso como a vida não foi fácil para elas, como elas tiveram que quebrar tantos paradigmas, liberando o caminho para as que viemos atrás; e como, em alguns casos, a vida continua sendo difícil. Neste mês da mulher, é com elas que começo a homenagem do tipo de mulheres especiais que tenho encontrado nos meus estudos e que nos servem de exemplo e inspiração: as maravilhosas mulheres da terceira idade.

Nany Bilate
www.behavior.com.br/blog

Por que nossas filhas não sabem limpar e cuidar do lar?

Eu entendo que como mulheres ainda lutamos bravamente para livrarmos de obrigações e responsabilidades que nos foram impostas por séculos associando-as à identidade feminina ao ponto de considerarmos natural serem tarefas femininas.  Graças a essas crenças, ainda hoje, apesar dos avanços que fizemos na equidade de gênero, muitas de nós enfrentam jornadas de trabalho não só duplas, mas triplas, quádruplas.

Mesmo com todo esse contexto, ando me perguntando quem irá cuidar e limpar da casa no futuro (breve)? Porque precisamos ser honestas: a casa precisa ser limpa por alguém, não é? E pela forma como os jovens – e aqui não faço distinção entre meninas e meninos – estão sendo criados, creio que existe a ilusão que haverá um botão mágico em cada domicílio que fará todo o serviço chato e pesado, enquanto eles jantam assistindo seus vídeos no tablet.

Falando sobre as meninas que em poucos anos serão mulheres, donas de casa no sentido amplo de proprietárias de um lar, morando independentes, com companheiros ou não, com filhos ou não, precisamos prepará-las para morar sem nossa presença, sem a presença da abençoada funcionária doméstica que isso sim, será um luxo no futuro. Mesmo que lavem as roupas na lavanderia, comam na rua ou comprem comida congelada; um chão, um banheiro, até onde eu sei, precisarão de alguém que os limpe.

E aqui não falo só em trabalho, mas em higiene, em manter o lar ordenado, organizado, limpo, harmônico. Fundamentais, em minha opinião, para manter um equilíbrio interno.  A beleza, aprendi, passa também pela dedicação ao nosso íntimo. Não é só a estética, as aparências, mas o belo em nós e ao nosso redor, nos equilibra e nos restabelece.

Nós mulheres acima de 50 anos fomos precursoras da liberdade sexual e da independência financeira mesmo dentro de famílias tradicionais. Hoje como progresso talvez queiramos que nossas filhas sejam mulheres independentes de todas as amarras e obrigações que ainda carregamos, mas penso que talvez tenhamos que compreender que independência, especialmente no futuro delas, significa ser auto-suficiente até mesmo de uma diarista.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br