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Onde está a felicidade?

Um dia destes, li um texto de Eliane Brum, cujo título me chamou atenção: “O Despreparo da Geração Mais Preparada”.

Chama de geração preparada, a geração que teve acesso a bons colégios e boas faculdades. Pessoas que puderam ter uma educação formal adequada e assim se prepararam tecnicamente. Aptos em tecnologias e conhecimentos, mas inaptos em lidar com frustrações próprias da vida, do dia a dia.

Ser feliz é trabalhoso, e não um direito adquirido!

Tudo isso leva a um sofrimento real. Uma dificuldade em compreender que viver demanda esforço; construir uma carreira ou uma família é extremamente trabalhoso e árduo!

Isso não se aprende na escola nem existe técnica em pular os degraus dos caminhos que cada um decide seguir.

Frequentemente, estes caminhos são cheios de dor e adversidades, mas quem esta preparado para isso?

Quem compreende e aceita que a dor pode ser o elemento que ira forjar uma pessoa mais forte? Melhor resolvida?

Encontrar um ambiente onde o trabalho seja uma extensão da própria casa, não existe. A complacência do pai ou da mãe, só cabe no ambiente familiar. Muitas vezes, a compreensão disto é sofrida, mas real.

Será que preparamos nossos filhos para viver?

Felicidade é uma conquista dura e efêmera, mas mesmo assim, intensa e gratificante.

Ser feliz, dá trabalho, demanda esforço e tolerância. Viver é para insistentes! Felicidade também. Não é uma questão de ter direito a ela, mas uma luta, uma batalha. Uma conquista trabalhosa!

E o sabor da conquista? Este sabor não tem preço!

E o esforço? Alguém já viu alguma construção sem esforço?

O prazer em ver uma tarefa completa, ou um desafio transposto… Precisamos cuidar e permitir que nossas crianças superem suas dificuldades, experimentem suas capacidades e potência.

Frustração não é fracasso, mas pode ser o propulsor do movimento que venha a gerar felicidade.

A satisfação vinda de um esforço, a alegria de uma conquista difícil… ou poder ver um pássaro em uma árvore cantando… ai pode estar a felicidade.

Tudo depende do olhar que posso dar a cada momento deste grande mistério que é viver.

Miriam Halpern
Psicologa e psicanalista
mhalperng@gmail.com

O olhar e a leitura

 

O senso comum diz que lemos palavras, mas fazemos várias leituras com nosso olhar:

Olhamos as nuvens e nelas lemos se vai chover.

Vemos no rosto de um amigo se ele esta bem ou não, lendo sua expressão.

Lemos a vida através da experiencia do dia a dia.

Sabemos ler o que diz o chão que pisamos: se é esburacado, cuidado para não torcer o pé. Se choveu, se está escorregadio ou podemos seguir caminhando.

Ler uma notícia, implica em compreender e interpretar, não são apenas palavras, mas letras com um conteúdo, ao qual daremos o colorido que pudermos dar.

Falar ou escrever: um conjunto de letras, ruídos e conteúdos impregnados de interpretações e vivências.

Quando escrevo sou o personagem da história que construo. Como será que sou lida? Quando falo, também.

Quando leio, sou o personagem daquilo que estou lendo. Assim posso entrar e construir um vasto universo. Tudo depende da intenção de descoberta do nosso olhar.

Como será que me leem?

Não sei o que minhas palavras causam: apenas sei que cada leitor fará a leitura que puder fazer das palavras que escrevo.

A liberdade que o conjunto de letras me proporciona, é prazerosa.

Fatos incríveis vêm ocorrendo pelo mundo e é visível como cada um faz sua leitura!

Saiamos do senso comum e vamos procurar ler o outro, cada um com sua história, escrita ou não. Cada vida traz uma leitura rica em detalhes.

Ando exercitando aprimorar minhas múltiplas leituras e assim tornar meu dia a dia mais rico.

Que tal?

Estão todas convidadas!

Miriam Halpern
Psicóloga e Psaicanalista
mhalperng@gmail.com

 Quem é o dono do seu corpo???

 

Vivemos numa sociedade onde a imagem é importante. Só que esta imagem é externamente produzida.

Estamos o tempo todo sob intensa manipulação de idéias e costumes.

Preocupadas com as calorias, proteínas, cremes, estamos sempre sujeitos a qual imagem projeto.

Será que somos todas feias e gordas? Ou estamos submetidas a uma tirania onde a insatisfação leva a um perseguir de um corpo perfeito, o que traz a busca e consequentemente um consumo de comidas apropriadas, cremes embelezadores, ou ainda lipoaspiração invasiva e perigosa?

Então, quem é dono do próprio corpo? O Selfie? A Revista de Beleza? A internet? O corpo do outro? De quem é a decisão final?

O que é mais importante: como me vejo, ou a imagem que acredito que emana de mim? Quantas vezes preciso perguntar se estou bem, pois não confio em meu próprio olhar?

Tentar produzir uma eficiência, uma beleza industrializada, ou seja, estamos submetidas aos padrões da indústria que nos oprime, e impede de viver uma vida alegre e satisfatória.

Somos bombardeados o tempo todo por fotos e notícias.

Meu corpo é minha casa. Por acaso deixo qualquer um entrar em minha casa, em minha vida?

Por que então vou aceitar e deixar entrar por meus ouvidos e olhos, qualquer intruso, e aceitar o “assalto” daquilo que poderia ser melhor para mim? Por que temos de acreditar que alguém sabe o que é melhor, ou aquilo que faz sentido em minha vida? Afinal os olhos são a janela da alma…

Piadinhas no whatsapp e redes sociais sobre o peso após o réveillon, proliferam…

Que tal esta frase: “dia 1 atrasar a balança 5 kg”…

Fala sério!!!!!! O corpo é meu, e de fato devo ser responsável por aquilo que coloco dentro dele, e não ficar sempre aflita e ter “medo” da comida, como se ela fosse minha inimiga.

Existe um prazer em comer, que está sendo esquecido. Certo?

O horror é viver tiranizado por uma sociedade de consumo como a nossa, onde estamos imersos em estímulos para comer (propaganda), ao mesmo tempo que as mulheres bonitas e magras (que podem ser assim por Photoshop) são associadas a serem amadas e bem sucedidas.

Tudo isso é um contrassenso! Uma ambiguidade enlouquecedora.

Para o ano novo desejo que sejamos felizes com o corpo que temos. Com o tamanho que podemos ter e ser a cada momento da vida, e deixar as estereotipias na gaveta!

Vamos amar melhor nossa casa/corpo e voltar a ser donas de nós mesmas?

Fica aqui o desafio!

“Nunca te diminuas para caberes no mundo de alguém. Se não houver espaço para ti, não insistas. Quem te quiser de verdade na sua vida, fará tudo para que tu caibas, de forma inteira sem que tu precises de te diminuir”. –  Jô Soares

Beijos,

Miriam Halpern
mhalperng@gmail.com

Ganhamos mais liberdade sexual, mas ainda abrimos mão do prazer

Hoje nós mulheres falamos abertamente de sexo com nossas amigas, muitas comentamos nossas experiências e rimos juntas das inevitáveis situações cômicas que passamos nessa nossa caminhada de vivências. Há uma alegria e uma maravilhosa sensação de liberdade quando sabemos que não precisamos mais ser ou parecer virgens para sentir-nos mulheres honestas. Esse é um ganho maravilhoso que minha geração, na faixa de 50 anos, ganhou sobre nossas mães.

Devemos lembrar que é graças às nossas mães, seja pela castração ou pela liberdade, que conseguimos ir bem além do que elas, e construímos um mundo feminino mais livre, nos tornando cada vez mais donas de nosso corpo até para decidirmos casar virgens, se isso for realmente importante para nós.

Sei que mesmo que estejamos avançando a passos longos em direção à equidade, valores e crenças profundas são lentas de mudar especialmente quando se tratam de temas tabus como sexo, família e moral. E são nos pequenos detalhes que eles se mostram para nos dizer que ainda há muito a limpar. Isso deve explicar porque ainda nas minhas entrevistas com mulheres, muitas de diversas faixas etárias e classes econômicas, fingem orgasmos para seus companheiros.

Percebi que existem dois motivos principais que regem esse comportamento: um certo sentimento de responsabilidade por não ter chegado ao orgasmo – o que pode apontar a dificuldade e o tabu que ainda existe em pedir pelo próprio prazer; e o outro, tão corrosivo quanto o primeiro para uma vida sexual prazerosa, sentir uma certa preocupação com a sensibilidade – ego? – do companheiro.

As mulheres sabem que a maioria dos homens associa sua performance na cama à própria idéia de masculinidade e por considerá-los frágeis nesse aspecto, preferem fazê-los sentir que são maravilhosos. Sei que há homens que não permitem esse diálogo, mas de onde tiramos que os homens não conseguem aguentar a realidade? Ou mesmo que isso seja real, iremos passar a vida insatisfeitas? Não é melhor encontrar um caminho para tirá-los da ilusão e viver uma relação mais real e profunda?

Além de ganharmos o direito de fazer sexo livremente, nós mulheres também deveríamos nos propor em ter mais prazer com nossos companheiros e isso passa por conhecer nosso próprio corpo e o que nos dá prazer; entender que cada casal tem sua própria química, e, que abrir mão de qualquer residual de educação castradora pode abrir espaço para um diálogo carinhoso e delicado sobre temas diversos, inclusive, sobre nosso prazer.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br

A Mulher Maravilha entrou de férias

Quando começamos os estudos do Projeto Mulheres em 2010, a mulher estava no auge de sua auto-afirmação. Chamada de poderosa pela mídia, era reconhecida publicamente como alguém capaz de resolver e realizar praticamente tudo. Rápida, decidida conseguia absorver perfeitamente todos os papéis sociais que ambicionou com um bom grau de perfeição. Só tinha uma coisa que ela tinha dificuldade em conseguir: aquele corpo perfeito de capa de revista.

Falar com elas naquela época era ouvir o canto da vitória. Sim, tínhamos chegado longe. Embora existisse – e ainda existe – uma desigualdade assustadora no que se refere a salários, oportunidades e benefícios entre homens e mulheres; era inegável como a mulher brasileira estava no seu momento de sentir-se poderosa, o que significava, a maioria das vezes, se sentir superior ao homem.

Só que para chegar a esse ponto tínhamos dedicado muito do nosso ser para provar que podíamos, que tínhamos a mesma capacidade que os homens de realizar e ainda tivemos que acumular funções e tarefas para ter a permissão social de ocupar um espaço à luz do sol e não somente à luz da cozinha.

Existem crenças sociais muito arraigadas que nos levaram a agir assim. Um exemplo de crença limitante é aquela que nos diz que podemos ser profissionais com tudo que isso implica de dedicação, mas é claro, mãe é mãe então somos nós as – únicas – responsáveis pelos filhos. Outra crença arraigada, é que a casa é da mulher, assim cuidar dela é nossa responsabilidade mesmo que isso signifique mexer em canos ou cabos elétricos. Ah! saudades do homem-mestre-de-obra que sabia furar, lixar, conectar, instalar… verbos que se conjugam cada vez menos com sexo masculino.

Quando terminamos a pesquisa no final de 2010 notamos sinais claros de que essa Mulher Maravilha ia expanar. Era evidente que mesmo com o sabor de vitória nos lábios, a posição onde ela se encontrava a estava exaurindo. Ou ela abria mão da supremacia feminina sobre o lar e os filhos, ou ela abria mão da vida profissional que tanto lhe dava prazer, isso por falar em só dois aspectos dessa Mulher Maravilha. Não tardou e os sinais ficaram mais evidentes: a cada ano nossos estudos mostram mulheres compartilhando com seus companheiros mais os deveres – e não só os prazeres – de cuidar de filhos e da casa. Mulheres abrindo mão da carreira corporativa para se dedicar aos filhos pequenos e conseguirem rendas alternativas em parceria com companheiros que além de arcar com boa parte dos custos da família, dividem – com prazer – tarefas domésticas.

Foi sem dúvida bom saber que podemos ser essa Mulher Maravilha e que obtivemos reconhecimento por isso, mas é melhor ainda estar no auge e decidir, por vontade própria, sair do pedestal para vivermos de formas mais leve, saudável e prazerosa.  A Mulher Maravilha ainda existe em nós e ela pode ser chamada assim que a precisarmos mas umas férias prolongadas não faz mal a ninguém, faz?

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
Escreve semanalmente sobre as transformações que estamos vivendo como sociedade no blog Movimentos Humanos em www.behavior.com.br

Prazer e Jogos Olímpicos

5 de agosto… Abertura das Olimpíadas, e um respiro para todos nós! Ao menos para mim é.
Ultimamente ando sem vontade de ler noticias, jornal e ver noticiários na TV, pois é tanta noticia ruim… Sei que só chega ate nós o que alguém decide que devemos ter ciência.
Mas nada como o respiro que estes dias de jogos, superação e beleza podem trazer.
Já que, Jogos Olímpicos no Brasil é um fato, quero aproveitar e encher meus olhos de cor, sucesso e a tentativa humana de chegar perto da perfeição.
É gostoso ver jovens saudáveis, bonitos e bem-dispostos (ao menos é assim que nos chega) com seus largos sorrisos cheios de expectativa e esperança.
Para muitos, só o fato de estar no time Olímpico (o que não é pouca coisa) é uma vitória!
Temos a partir de hoje, a oportunidade de ver coisas bonitas, coloridas e preparadas com entusiasmo e cuidado.
Curtir e sonhar faz parte da vida. Ter prazer também, e devemos procurar, em nosso dia a dia, respiros prazerosos.
Portanto pessoal, vamos torcer para que tudo dê certo, e possamos honrar com nossa simpatia, boa vontade e capacidade, sediar um evento tão importante, onde nosso país fica em destaque durante vários dias!
Desejo que tudo corra muito bem e sucesso para nós!!

Divirtam-se!

Miriam Halpern
Psicologa e Psicanalista
mhalperng@gmail.com