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Preguiça: um bicho, um estado de espirito, ou uma doença?

O que é preguiça: um bicho? Um estado de espírito ou doença?

O que sei é que em nossa cultura, estar com preguiça não é das situações mais bem vistas.

Em geral confunde-se com ser folgado, ou espaçoso, não gostar de esforço e coisas que tais, mas acho que ter preguiça e poder exercer o “estado preguiçoso”, uma das situações mais prazerosas e menos onerosas.

Pergunto: preguiça é pecado?

Alguns responderão que sim, outros afirmam que é um luxo que poucos podem se permitir.

Particularmente acho que, poder ter preguiça, esta diretamente ligado a quanto de permissão posso ter, e ao tanto de responsabilidade que posso assumir.

Muitas vezes chego ao extremo das minhas possibilidades e sei que não posso seguir adiante: estou no meu limite e decido parar o que quer que seja. Será preguiça?

Outras vezes resolvo ter preguiça genuína, opto por não fazer nada…

Vamos ao dicionario: (Porto Editora)
Nome feminino Preguiça
Tendência de uma pessoa para evitar ou recusar esforço
Indolência
Inação, moleza, lentidão
Mandriice, vadiagem
Corda que dirige o peso dos guindastes
Zoologia: mamífero desdentado, arborícola, da família dos Bradipodídeos, comum na América, que e desloca muito lentamente.

Notaram que as definições parecem adjetivação ou atribuição de qualidade? Ou julgamento?

Pois tento trazer a ideia da preguiça, como uma forma de estar prazerosa, desde que, não traga prejuízo a quem a exerce responsavelmente.

Chamar alguém de preguiço, geralmente é ofensivo, não acham?

Preguiçoso no dicionario:
adjetivo
que tem preguiça; indolente
que não gosta de trabalhar
lento
tardio
desmazelado

Adjetivar é atribuir uma qualidade, boa ou não, a quem quer que seja, ou julgar e classificar alguém de algo.

A meu ver, pecado é chamar o outro de preguiçoso sem saber realmente o que se passa ou sem saber se tal preguiça é responsável e consciente.

Confundir preguiça com indolência é que é horrível e injusto.

Ter um olhar generoso para si e para os outros, certamente permite que tenhamos um viver mais satisfatório e feliz.

O que ainda não conseguimos é saber e adivinhar o que passa dentro de cada um, felizmente. Mas o mundo esta repleto de gente que acha saber o que é bom ou não para os outros e assim, não ter que olhar para o próprio existir.

E vamos ter um olhar mais gentil para a própria preguiça, uma próxima vez que ela aparecer ao invés de reagir contra. Talvez a preguiça seja um sinal de que é preciso descansar um pouco. E com todo o respeito!!!!!

 

Miriam Halpern
Psicologa e psicanalista
Membro efetivo e docente da SBPSP
Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento
Membro da IPA, Londres
Membro da IPSO, Paris