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Chuva e frio…

Chuva e frio…

Quem é paulistano, está encharcado de tanta chuva. Hoje amanheceu seco… Vamos passear, pensei e propus!

Quebrei sem querer uma armação de óculos e hoje seria um bom dia para procurar outra. Achamos!

Tempo seco… oba! Estávamos no centro da cidade e começa a escurecer: vimos um táxi que recusou a corrida. Fomos ao metrô: a linha 4 esta em reparos… vamos em frente e descemos na Praça da Republica.

Continuando o caminho para chegar em casa.

Mal sabia que hoje, seria outro dia de atribulações.

Aliás, viver é um tumulto! Fazer-se entender também. Cada um tem sua forma, jeito de pensar e entender as coisas.

Afinal, para que servem as palavras? Comunicação é uma arte. Fico na dúvida se me comunico bem. Se minha escrita é clara e se é possível me fazer entender.

A dúvida sempre presente, de como será que sou lida e percebida.

Às vezes vejo as pessoas como equipamentos de recepção e emissão: como uma antena parabólica, receptora de estímulos e repetidora de sons e imagens.

Tudo depende da sintonia a que estou ligada e em que frequência transmito minhas ideias, que, dependem também se a antena receptora, é capaz de captar os sinais que envio. Complicado…

Enfim, continuo mandando mensagens e sinais. Aguardo retorno dos estímulos enviados, das antenas que possam captar a frequência das minhas emissões.

Boa chuva!

Miriam Halpern
psicóloga e psicanalista
mhalperng@gmail.com

Para bom entendedor, meia palavra basta! Será?

Acabo de chegar do supermercado, onde fiz uma compra, nem grande nem pequena.

Às sextas-feiras, sei que é preciso paciência, pois em geral as filas nos caixas são grandes.

Lá fui eu: de fato, bastante fila e começa o bate papo. Atrás de mim, uma pessoa com pouca coisa: devo ou não perguntar se deseja passar na minha frente?

Pessoa simpática, conversa daqui, dali… Decido não falar nada na espera de uma solicitação.

Chega a minha vez após uma certa espera e vejo a mesma pessoa que conversava comigo, reclamando de gente egoísta, que não olha para ninguém, que não vê que ela está com pouca coisa… fico pasma!

Difícil saber o que alguém precisa, se este não comunica. Não sei ler mentes nem desejos e muito menos temos letreiro na testa (felizmente) onde estaria escrito nossos pensamentos.

Ultimamente tenho optado em não tentar adivinhar o que alguém quer, ao menos que cada um responsabilize-se pelo que precisa ou quer de mim.

Mas viver, é sempre um risco e ir ao supermercado também! A todo tempo estamos expostos a destemperanças e humores alheios.

E mal entendidos então? Nem se fala!!!

Sei que é uma tentativa, proteger-me assim de desencontros. Cada um tem uma ideia e uma verdade. Refletir e questionar as próprias verdades, trás um enorme trabalho.

Mas questionar, pensar e duvidar, pode também gerar um esclarecimento e resolver situações.

Certamente teria deixado tal pessoa nervosa passar, se assim tivesse falado. Apenas uma comunicação resolveria o problema presente, e para mim, não haveria problemas. O que tentei evitar foi ser gentil e minha gentileza não ser aceita.

Apenas uma palavra bastaria, e todos ficariam bem.

Miriam Halpern
psicóloga e psicanalista
mhalperng@gmail.com

A alma imoral

Já há algum tempo, li o livro que dá titulo a este artigo de autoria de Nilton Bonder, rabino querido do Rio de Janeiro.

Já é intrigante de início, seu título traz curiosidade.

O que um rabino poderia dizer a respeito, afinal, a imagem de um religioso é de uma certa ideia, correto e tradicional.

Fiquei admirada ao ver o livro e logo começo a ler, afinal, que historia é esta? Aprendemos que temos que ser corretos, íntegros e sobretudo “fazer o bem sem olhar a quem”.

E que tempos bicudos são estes em que nada disso acontece, ao contrário!

A evolução acontece quando alguma transgressão se comete!

Podemos parar e pensar o que é transgredir, pois temos transgressão, como atitude pejorativa ou irresponsável. Vou ao dicionario:

 Transgredir: Ultrapassar limites de algo: atravessar

Fleming, ao descobrir a penicilina, transgrediu o que conhecia.

Freud, ousou pensar além do que era estabelecido para sua época.

Edson, o inventor do telefone, (entre outras coisas) inventou o telefone por amor: sua esposa era portadora de deficiência auditiva , e o telefone surgiu a partir do amplificador de som.

O avião de Santos Dumont, veio de uma experiência e ousadia em não conformismo em poder voar. Assim, transgrediu o estabelecido e fez o 14 bis .

Em nosso mundo, existem milhares de exemplos de transgressões úteis e promotoras de progresso.

Vivemos um mundo, onde o enrijecimento moral e político, mostra a dificuldade em mudar.

Estamos estarrecidos com isso tudo!

Transgredir é necessário para que mudanças ocorram, mas a historia vem mostrando transgressões maldosas e desrespeitosas. Não é dessa que precisamos, mas de almas que desejem mudanças, que possam ultrapassar e transformar o mundo em um mundo melhor, mais alegre e colorido.

Onde as floresta, plantas, animais e homens possam viver, cada um a sua maneira.

Onde o Imoral, seja a conquista de novos modelos e experiências. E a transgressão seja a soma de atitudes construtivas que possam somar e produzir um planeta melhor!

Miriam Halpern
psicóloga e psicanalista
mhalperng@gmail.com

Gestos e palavras: Estamos Realmente Atentos ao que nos Rodeia?

Abro meu computador pela manhã hoje e vejo um pequeno vídeo postado na fanpage do Mundo Mais Bellas (clique aqui).

Vídeo sobre atitudes possíveis no dia a dia, mas que nem sempre percebemos.

Em geral, vivemos ensimesmados, pensando em nós e em nossos próprios problemas.

Só posso enxergar a subjetividade do mundo, através dos meus olhos e da minha experiência, mas, muitas vezes nos deparamos com situações gritantes: um dia destes, estava esperando em uma esquina, a mudança do farol com a abertura para pedestre. Neste meio tempo, para do meu lado um homem cego com sua bengala. Pergunto se quer que o ajude a atravessar, e ele alegremente aceita e me agradece. Fiz um bem a ele? Certamente, mas também fiz um bem para mim, pois me senti alegre em ajudá-lo.

Toda vez que ajudo alguém, estou também fazendo um bem para mim. E quando falo ajudar, é apenas olhar, deter-me por um pequeno segundo e permitir um encontro de 2 pessoas: rápido, necessário e gratuito!

No video, que recomendo a todas, foi registrado a dubiedade entre aquilo que pensamos (palavras) e o que realmente fazemos (gestos).

Nossa cultura, vive impregnada de palavras. Palavras, as vezes vazias de conteúdos, que honre e legitime as palavras ditas!

E os gestos? Os movimentos em direção ao outro? Quando falo ao outro, incluo o planeta que vivemos, que precisa ser também cuidado, e com muito carinho. As relações também.

Palavras e gestos em conjunto… Recebemos o dom da expressão, da fala, e é preciso cuidar também do conteúdo do que se fala e faz.

Existem pessoas que nos encantam com suas palavras, mas precisamos também examinar os gestos e movimentos vindo de quem fala.

Falar é tão fácil…

Cuidemos para refletir sobre o conteúdo da fala. Muitas vezes, sem que percebamos, somos encantados com falas eloquentes e com apelo sentimental. Neste contexto, a dúvida é a melhor amiga, pois ela leva a reflexão, se estamos mesmo honrando nossa palavra e fazendo aquilo que é verdadeiro para cada um.

Quem ainda não assistiu o vídeo, recomendo. Trata de ações simples, corriqueiras, mas se não paramos 1 segundo para perceber, nada muda!

E cada um de nós, que através de  pequenos gestos somados, possamos levar a uma boa diferença!

Boa semana a todos!

Miriam Halpern
Psicologa e Psicanalista
mhalperng@gmail.com

A amante

Na Vogue de março há uma matéria sobre Anne Pingeot, amante por mais de 30 anos de François Mitterand, ex-presidente da França e um dos políticos mais influentes do século XX. A história deles é extraordinária no sentido literal da palavra: não tem nada de ordinária. Danielle, a mulher de Mitterand, e seus filhos conheciam Anne. Mais: Anne e a filha viviam num anexo do Palácio do Eliseu, palácio oficial da presidência da França. Ou seja, próximas da família “oficial”. O que faz uma mulher virar amante, daquelas fixas? No caso de Anne por mais de 30 anos? Dinheiro, a maioria dirá. Talvez. Não muito diferente das mulheres que mantém casamentos há muito tempo acabados pelo mesmo motivo. Elas mantém esses casamentos em nome da família, alguns defenderão. Nem todas, vamos convir. Portanto, se isolarmos a questão do interesse financeiro que permeia de alguma forma e em diferentes graus boa parte das relações, qual mais poderia ser a razão para uma mulher sustentar uma relação amorosa com alguém que raramente estará com ela nos momentos considerados importantes? Vamos dificultar a reflexão imaginando nossa mulher-amante como alguém com educação formal e uma boa independência.

O amor! Dirão os mais românticos. Sim, pode ser um bom motivo. Ainda se acreditamos que o amor suporta tudo, apoiados na crença de que o amor impõe sacrifícios; embora penso que o amor – e a vida – impõem escolhas, que não chamo de sacrifício. O desejo de liberdade, será a resposta de outros. Também possível, se ama alguém, sempre o mesmo, numa relação que tem regularidade e estabilidade e ao mesmo tempo se é livre para ter uma vida independente.

Auto-estima baixa, pensarão outros, afinal a mulher se submete a viver à sombra, de não ser a oficial publicamente, com tudo que isso carrega de carga social. Podemos pensar nessa possibilidade se acreditarmos que ser oficial é mérito, se os papéis sociais são tão importantes assim na nossa vida. Sem-vergonha, esbravarão indignados a turma do politicamente correto. Ah! sim, vamos concordar que precisa ter pouca vergonha para assumir uma situação dessas.  Paixão, dirão os mais afoitos, penso que ela leva muitas mulheres a ficarem presas a uma relação por anos, porém, a paixão sobrevive a muitos anos? Tenho minhas dúvidas.

Quanto mais estudo o ser humano mais compreendo que são tantas nuances, tantas variáveis que toda leitura estereotipada no mínimo será leviana. Não pretendo aqui fazer uma apologia às amantes ou as não amantes. Minha reflexão esta semana recai sobre dois aspectos: o primeiro é a opção de viver uma relação ilícita por décadas. Uma relação fora do padrão, que caso não seja claro para a outra parte, no caso a mulher dita oficial – estará contribuindo com uma traição amorosa, com a quebra de lealdade e honestidade que tanto queremos nas relações. Mesmo que digamos não nos importar com o que as pessoas pensam, fomos criados nessa sociedade, somos filhas de seus valores e crenças e nos colocarmos contra o sistema, carregando o peso moral da dor que causa uma traição, sempre deixará marcas doloridas também em nós.

O segundo aspecto que trago para reflexão é sobre a complexidade que permeia as relações humanas o que torna difícil analisar e julgar. Qualquer julgamento sem profundidade estará embasado em estereótipos, em preconceitos que nos isola e nos separa. Podemos, como sempre, não querer para nós um estilo de vida, que as escolhas dos outros nos atinja diretamente – indiretamente, é inevitável – mas compreender que cada um é movido por um sistema complexo que envolve sentimentos, valores, crenças e contexto, ajuda a se solidarizar com outro, apesar de não concordar. Ler a matéria sobre Anne Pingeot também me fez pensar na esposa que aceita uma situação dessas. Mitterand, segundo a revista, dormia todas noites com Anne e passava o final de semana com ela. Isso quer dizer que, no fundo, quem era a oficial? Porque uma esposa aceita essa condição? Como diria Shakespeare “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.

Paciência

Paciência

“O Paraíso não é um lugar, é um breve momento que conquistamos”

                                                                                                     Mia Couto

Empresto este pensamento do meu favorito pensador para escrever este texto.

Ando cansada, desanimada e busco inspiração em Mia, escritor residente em Moçambique, que viu muita guerra civil em seu país e inspirado em suas experiencias, escreve livros e poesias belíssimas.

Vivemos em um país abençoado: quanto a natureza, temos tudo aqui: águas, ventos, rios, terra cultivável, nunca experimentamos um vulcão em erupção, nem terremotos devastadores (me corrijam se estiver equivocada).

Vivemos um período social turbulento, e de perplexidade econômica.

Sonhar com a paz e prosperidade é o desejo de todos, porem, para lá chegar, é preciso muita paciência e perseverança.

Mas haja paciência!

Vejo em Mia uma paciência imensa, um entendimento da natureza humana.

Óbvio que não sei por quantas dificuldades passou e os momentos de insucesso. Estes ninguém quer contar!!!!!!!

Percebo em suas entrevistas um aspecto delicado e humano.

Faz-me sonhar! Sonhar que dias melhores virão.

O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?

Será que virão mesmo, estes dias melhores?

Que venha o paraíso! Mas logo, pois minha paciência está acabando!!!!!

Miriam Halpern
Psicóloga e Psaicanalista
mhalperng@gmail.com