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A utilidade das relações: o convite para uma nova dança

Domingo assisti ao filme Amnésia que me fez lembrar como é importante perceber a utilidade das relações. E como é sábio poder perceber isso no mesmo instante que acontece. Vivemos hoje em dia as relações de formas tão mecanizadas que perdemos a poesia que o encontro com alguém traz.

Costumamos pensar nos relacionamentos afetivos de forma romântica, acreditando que o amor nos une a alguém inexplicavelmente e que a felicidade surge a partir dessa união como um milagre. O que pouco pensamos é o quanto as relações são úteis – e necessárias – para caminharmos pela vida. Mesmo aquelas que nos fazem sofrer.

Pode haver utilidade premeditada, explícita ou não. Neste tipo de relação, quando o interesse não é velado, ambos podem aproveitar dessa troca consciente sem necessariamente cair nas armadilhas do exercício de poder.

Porém, há outras utilidades mais espontâneas.  Aquelas que vêm necessariamente quando nos relacionamos com alguém, especialmente de forma afetiva. Adoro observar o encontro de duas pessoas e como essa aparente casualidade afeta significativamente cada uma delas.

Se tivéssemos a sabedoria de observar e aproveitar os novos ventos que uma pessoa traz às nossas vidas, pararíamos de chorar pelo término das relações que nasceram para partir, e nos alegraríamos por aquilo que conseguimos viver e transformar. Olharíamos as pessoas com mais curiosidade e atenção, abertos à dança que é ofertada num salão bem maior do que poderíamos sonhar. Cada pessoa com quem nos relacionamos tem um dom que pode influenciar diretamente as nossas vidas. É só permitir. É só ficar atento.

Adoraria terminar com a frase que Martha, a personagem principal do filme Amnésia disse a Jo, o jovem rapaz que sonha em ser DJ, mas não quero ser acusada de fazer spoiler.  Se gosta do ritmo e tempo do cinema europeu, recomendo ver esse filme para sair leve e doce, pronto para reconhecer – e agradecer – a utilidade nas nossas vidas das pessoas ao nosso redor.

Leia o texto na íntegra aqui.

Boa semana a todos.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

Relacionamento amoroso feliz é uma conquista sem competição

Celebrei recentemente 11 anos de relacionamento, com muita felicidade, sem nenhum exagero nessa expressão. É comum que pessoas que convivam conosco perguntem qual é o segredo para vivermos esse amor feliz. Sinceramente, não sei se existe um segredo ou uma receita porque cada pessoa é uma história, com suas expectativas, medos e sonhos. Não é fácil, mas é possível.

Reflito sobre tantos casos de relacionamentos que tenho ouvido ao longo de meus anos de pesquisadora. Pensei sobre o meu e o que ajuda a obter essa tão desejada felicidade. O que fica claro é que viver uma relação amorosa feliz é uma conquista obtida dia a dia. Não há competição porque não há – ou não deveria haver – perdedor. E nisto penso que a relação-amorosa-feliz, se aproxima do novo poder, o poder isonômico.

A conquista de uma relação-amorosa-feliz, pela minha experiência pessoal e que meus estudos me mostraram até agora está baseada justamente nisso: na isonomia, nos direitos iguais mesmo entre seres bastante diferentes.

Listo alguns pontos aos quais credito a minha relação-amorosa-feliz. O primeiro é o desejo profundo que a relação dê certo e isso ser maior do que nosso ego. A auto-importância torna-se menor. Sei que isso é contrário ao que temos lido por aí. Nas últimas décadas a crença de ame-se primeiro tem tomado conta de todo discurso de auto-ajuda. Ele é verdadeiro, porém, no caso de um relacionamento amoroso, o ceder, o deixar o ego de lado em prol do que é justo e correto para a relação, considero fundamental.

O segundo ponto na minha relação: não há vítimas. Ninguém se sacrifica. Amor a dois não implica em sacrifício, mas em dar e receber, ceder sob a ótica que consideramos justo. São trocas. Aliás, há muitos anos uma mestre querida me explicou isso: o amor não necessita de troca mas de doação. O relacionamento sim precisa de troca.

O terceiro ponto é que só estamos juntos porque essa relação nos faz feliz. Somos independentes, em todos os sentidos, menos na felicidade. O foco, portanto, é a felicidade, não meu marido, nem nossa relação. Mas para obter a minha felicidade preciso da relação amorosa com meu marido.

O quarto ponto tem a ver com o cuidado e o autoconhecimento. Para cuidar adequadamente precisamos nos conhecer e conhecer ao outro. Entendendo aqui que o autoconhecimento é parte da evolução.  Evoluir e se conhecer significa, para mim, ter maior capacidade de optar consciente o que traz tranquilidade, paz e felicidade. E isso aumenta nossa capacidade de amar.

Leia o texto na íntegra aqui.

Boa semana a todos.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

As filhas que viram o que as mães não conseguiram ser

A relação mãe e filha é sempre intensa. Às vezes conflituosa. Por isso creio que é um tema que nós mulheres, devemos revisitar periodicamente, tanto por sermos filhas, como provavelmente várias de nós, sermos mães de meninas que um dia se tornarão mulheres com suas próprias vidas e destinos.

Esta semana irei refletir sobre as mães que desejam concretizar o futuro não realizado através das filhas. Conheci várias. Elas normalmente vem de uma situação financeira inferior do que projetam para sua filhas – sim, o dinheiro e a posição social, associados ao poder, jogam um papel importante para esse tipo de mãe – e desejam que suas filhas sejam o sucesso que elas imaginam deveriam ter tido. Devemos entender sucesso aqui como a vida de mulheres que demostra em todos os detalhes que tem poder. Esse poder pode ser através de uma aparência requintada ou mais exagerada, mas todas ambicionam serem consideradas poderosas. Pode ser casar com alguém com posição sócio-econômica alta e poder andar com carros caros, viajar e conhecer lugares fashions… o importante é que a filha viva o estereótipo clássico e óbvio – aliás a obviedade é  muito importante –  já que é relevante que todos saibam e percebam que atingiu uma condição financeira superior à sua origem.

A relação dessa mãe e dessa filha é viceral. A mãe se sacrifica o tempo inteiro pela filha, jogando dessa forma um sentimento de culpa nela e com isso manipulando-a para que siga o caminho que a mãe traçou para ela. Por outro lado, a filha sente-se muito amada e protegida, muitas vezes mimada, e esse amor e mimo vão concretizando nela a crença de que é um ser especial. Alguém que a vida lhe reserva o destino de princesa. Essa filha vai pela vida vivendo o destino previamente traçado, escolhendo amizades e amores que a levem para o reino esperado. Como boa pretendente a princesa essas filhas costumam ser poupadas das tarefas domésticas mais árduas, o corpo e a estética, assim como a vestimenta, são bem cuidadas e planejadas, mesmo numa família com poucos recursos.

O perigo que costumo observar nesse modelo de relação mãe – filha é a infelicidade não entendida que a filha tem com a vida. O príncipe nem sempre virará rei – se não se converter num feio e grande sapo. Muitas culpam os homens de sua infelicidade, mas poucas conseguem perceber a relação de poder e submissão em que foram envolvidas desde muito cedo. Como romper essa relação manipuladora com a mãe? Situação difícil que precisa de muita dor – a dor costuma nos mobilizar – e coragem para olhar para esse ser que tanto amamos, nossa mãe, com os olhos da lucidez que conseguem entender que antes de ser mãe, ela é um ser humano com dores, traumas e sua própria escala de valores e crenças. Para as mães, minha sugestão é refletir sobre a vida que não volta, a sua própria; e com isso deixar de colocar na filha o destino que não conseguiram ou o status de troféu que precisa ser mostrado a todos. Lembrar que amor é permitir que a filha escolha seu próprio caminho de felicidade porque afinal, querer que os filhos sejam realmente felizes, não é o melhor troféu na vida de uma mãe?

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br