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Devemos acabar com o conceito de homem-majestade. Será que estamos prontos?

Tenho buscado algo que positive plenamente o homem nestes tempos contemporâneos. Algo que faça ele ter real orgulho da sua identidade masculina e que não seja o poder antigo – poder sobre.  Ainda não encontrei, embora tenhamos alguns caminhos interessantes se configurando. A importância de positivar o homem tem a ver com a necessidade de equilibrar as forças masculinas e femininas, que acredito ser necessário para facilitar a formação do relacionamento romântico feliz.

Por que é tão difícil positivar a nova identidade masculina? Porque está ligada diretamente ao poder antigo e a forma como vemos o que é bom e o que é ruim nesse cenário. Mulheres e homens estão em processo de transição para o novo modelo social. Embora desejemos o novo – e o novo poder, poder para – ainda estamos presos às estruturas de valores e crenças que nos atam ao velho mundo.

Os homens, por milênios, ocuparam lugar de destaque na sociedade. Isso fez com que acreditassem que possuem um quê de majestade. Alguns até acreditam que deveriam ser tratados como reis. E a busca pelo novo papel, novo espaço para os homens passa, infelizmente, de alguma maneira por retomar esse privilégio.

Só que esse novo rei não quer reinar sozinho pelo ônus que isso significa. Ele quer o posto de majestade, tendo seus desejos atendidos, mas sem a responsabilidade de ser o provedor e o sábio. Fácil, não é? O caminho encontrado por aqueles que não lutam pela retomada do poder, no poder para, é virar quase um filho da mulher. A mulher, meio maternal, e meio porque lá no fundo acredita que ela  é superior ao homem, vira uma grande companheira-mãe, que trata de proteger, dirigir e perdoar o seu homem.

Leia o texto na íntegra aqui

Boa semana a todos!

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

Relacionamento amoroso feliz é uma conquista sem competição

Celebrei recentemente 11 anos de relacionamento, com muita felicidade, sem nenhum exagero nessa expressão. É comum que pessoas que convivam conosco perguntem qual é o segredo para vivermos esse amor feliz. Sinceramente, não sei se existe um segredo ou uma receita porque cada pessoa é uma história, com suas expectativas, medos e sonhos. Não é fácil, mas é possível.

Reflito sobre tantos casos de relacionamentos que tenho ouvido ao longo de meus anos de pesquisadora. Pensei sobre o meu e o que ajuda a obter essa tão desejada felicidade. O que fica claro é que viver uma relação amorosa feliz é uma conquista obtida dia a dia. Não há competição porque não há – ou não deveria haver – perdedor. E nisto penso que a relação-amorosa-feliz, se aproxima do novo poder, o poder isonômico.

A conquista de uma relação-amorosa-feliz, pela minha experiência pessoal e que meus estudos me mostraram até agora está baseada justamente nisso: na isonomia, nos direitos iguais mesmo entre seres bastante diferentes.

Listo alguns pontos aos quais credito a minha relação-amorosa-feliz. O primeiro é o desejo profundo que a relação dê certo e isso ser maior do que nosso ego. A auto-importância torna-se menor. Sei que isso é contrário ao que temos lido por aí. Nas últimas décadas a crença de ame-se primeiro tem tomado conta de todo discurso de auto-ajuda. Ele é verdadeiro, porém, no caso de um relacionamento amoroso, o ceder, o deixar o ego de lado em prol do que é justo e correto para a relação, considero fundamental.

O segundo ponto na minha relação: não há vítimas. Ninguém se sacrifica. Amor a dois não implica em sacrifício, mas em dar e receber, ceder sob a ótica que consideramos justo. São trocas. Aliás, há muitos anos uma mestre querida me explicou isso: o amor não necessita de troca mas de doação. O relacionamento sim precisa de troca.

O terceiro ponto é que só estamos juntos porque essa relação nos faz feliz. Somos independentes, em todos os sentidos, menos na felicidade. O foco, portanto, é a felicidade, não meu marido, nem nossa relação. Mas para obter a minha felicidade preciso da relação amorosa com meu marido.

O quarto ponto tem a ver com o cuidado e o autoconhecimento. Para cuidar adequadamente precisamos nos conhecer e conhecer ao outro. Entendendo aqui que o autoconhecimento é parte da evolução.  Evoluir e se conhecer significa, para mim, ter maior capacidade de optar consciente o que traz tranquilidade, paz e felicidade. E isso aumenta nossa capacidade de amar.

Leia o texto na íntegra aqui.

Boa semana a todos.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

A Sofia dentro de nós.

Em 1762 o filósofo suiço Jean-Jacques Rousseau escreveu Emílio, um obra sobre como devia ser a educação do homem – e da mulher – para obter uma sociedade virtuosa e perfeita. Rousseau dedica um capítulo à educação das mulheres: Sofia. Sofia trata de como educar a mulher ideal para Emílio. Nele podemos entender o que significava uma mulher perfeita para a época: submissa ao homem, com pouco ou mínimo acesso à educação formal, dedicada aos filhos e a família. Que deveria “aprender desde cedo a sofrer injustiças” e distrair seu marido através de artes como cantos e danças. Ainda, como as mulheres possuíam certa “indocilidade” era importante, segundo Rousseau, que “sejam submetidas desde cedo” a este modelo criado por ele para disciplinarem seu caráter.

Emilio é uma leitura obrigatória para entender a série de crenças sociais que constituem o que é ser mulher – e homem – e, por mais distante que pareça o ano de 1762, até hoje influenciam nossas escolhas e comportamentos. Com o passar dos séculos, os comportamentos se modificaram e podemos não ser submissas como eram nossas avós ou bisavós que calavam e temiam seus maridos; entretanto, mesmo com toda a independência que ganhamos, reflita comigo como muitas de nós estamos dispostas a perdoar os erros do companheiro com facilidade, independente da quantidade de vezes que esse erro se repete; o quanto temos o ímpeto de “atender” as vontades de nossos companheiros mesmo que isso signifique abrir mão da nossa; de tratá-los com certa complacência, como se não fossem capazes de suportar uma negação ou frustração.

Pense que talvez nessas atitudes e comportamentos cotidianos existam a semente da Sofia de Rousseau plantada dentro de nós. Nossa submissão não é de serva como antigamente, mas é demostrada, mesmo que com roupagem moderna, quando colocamos o homem, nosso homem, num espaço privilegiado e protegido. Algumas podem dizer que é natural à mulher esse tipo de atitude, que é o lado maternal que brota, que a mulher é acolhedora e nisso radica sua feminilidade… crenças que recebemos desde que nascemos e que ao internalizar e transformar em comportamento, transmitimos para nossos filhos.

Meu convite esta semana é refletir o quanto o ideal feminino que nos guia está associado à mulher que nasceu para atender, satisfazer e fazer feliz o homem que está ao seu lado. O quanto chamamos essa crença de amor. O quanto essas crenças nos afastam do sonho maior que permeia boa parte das mulheres que ouço: o de amar e ser amadas numa relação romântica-companheira. Nessa relação o companheirismo está representado pela equidade, direitos e deveres iguais. Numa relação em que alguém está sempre em destaque, pode haver carinho e amor mas não haverá, certamente, equidade.

Nany Bilate
www.behavior.com.br/blog

Gostar de malandro, uma sina?

Conheço muitas mulheres que adoram se apaixonar por malandros. A maioria sabe no que está se envolvendo, conhece o final da história, mas algo as leva a repetir a mesma experiência. Já comentei aqui que somos guiados por mitos, crenças e valores. Os mitos não são negativos, pelo contrário, segundo alguns pensadores da atualidade, não tê-los, especialmente os construtivos, facilita o sentimento de falta de sentido de vida, do vazio que favorece o consumismo como fonte de satisfação e por processos depresivos, tão comuns hoje em dia.

Os mitos nos levam sempre para algum lugar, nos organizam para ser alguém. Considero importante escolhermos bons mitos porque eles guiarão nossas decisões, mesmo de forma inconsciente, promovendo um aspiracional, um modelo a ser seguido.

O que entendemos como feminino, como qualquer uma das identidades sociais, está recheado de mitos sobre a feminilidade. Alguns deles nos levam a optar por malandros. Estes mitos partem de alguns modelos sobre o que é ser mulher. Para aquelas que sofrem com (e por) malandros, esses mitos costumam estar ligados ao sacrifício e ao sofrimento. Ser mulher é sofrer, é uma crença que mulheres com esse mito interno costumam repetir para si mesmas, e o que é pior, para suas filhas. Amar um homem é sofrer. Para as mulheres guiadas por estes tipos de mitos sobre o feminino, a mulher carrega a sina de ser enganada pelo seu homem e sofrer. De certa maneira, lá no íntimo, isso as coloca no papel de vítima e isto as enobrece. Acreditam que amar um homem traz, necessariamente, esse resultado. E o fato de amar sabendo que irão sofrer, as coloca numa posição quase sagrada.

Vi este modelo mental e emocional bastante difundido no norte e nordeste, com enfase no nordeste. Toda vítima – atitude de ser uma e não a vítima subjugada – costuma ser manipuladora. É onde radica seu poder. É através do enobrecimento do sacrifício que faz pelo amor e/ou pela família que ela consegue obter diversas contrapartidas. Os pequenos poderes que interlaçam as relações, especialmente, as familiares. Como negar aquilo, se ela suportou tudo isso por nós, filhos? Como negar a ela, minha mulher, se ela aguenta tudo o que eu apronto?

Óbvio que há casos muito sérios em relação a aceitação do malandro na nossa vida. Lembro da entrevista de uma moça jovem e muito bonita de Recife que sofria constantes desrespeitos do marido, ele não voltava para casa, se envolveu com vizinhas e conhecidas… quando foi comentar com a mãe ouviu dela que se fosse mulher aguentaria porque ela tinha aguentado tudo isso e mais do pai dela em prol da família. Quando foi falar com a sogra, a mulher pareceu até orgulhosa de saber que seu filho seguia a sina masculina. Em determinado momento perguntei para ela porque ela continuava no casamento. E a resposta, fala muito do mito que, se quisermos podemos manter, mas pelo menos convido a repensar: porque isso era ser mulher.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br