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Gestos e palavras: Estamos Realmente Atentos ao que nos Rodeia?

Abro meu computador pela manhã hoje e vejo um pequeno vídeo postado na fanpage do Mundo Mais Bellas (clique aqui).

Vídeo sobre atitudes possíveis no dia a dia, mas que nem sempre percebemos.

Em geral, vivemos ensimesmados, pensando em nós e em nossos próprios problemas.

Só posso enxergar a subjetividade do mundo, através dos meus olhos e da minha experiência, mas, muitas vezes nos deparamos com situações gritantes: um dia destes, estava esperando em uma esquina, a mudança do farol com a abertura para pedestre. Neste meio tempo, para do meu lado um homem cego com sua bengala. Pergunto se quer que o ajude a atravessar, e ele alegremente aceita e me agradece. Fiz um bem a ele? Certamente, mas também fiz um bem para mim, pois me senti alegre em ajudá-lo.

Toda vez que ajudo alguém, estou também fazendo um bem para mim. E quando falo ajudar, é apenas olhar, deter-me por um pequeno segundo e permitir um encontro de 2 pessoas: rápido, necessário e gratuito!

No video, que recomendo a todas, foi registrado a dubiedade entre aquilo que pensamos (palavras) e o que realmente fazemos (gestos).

Nossa cultura, vive impregnada de palavras. Palavras, as vezes vazias de conteúdos, que honre e legitime as palavras ditas!

E os gestos? Os movimentos em direção ao outro? Quando falo ao outro, incluo o planeta que vivemos, que precisa ser também cuidado, e com muito carinho. As relações também.

Palavras e gestos em conjunto… Recebemos o dom da expressão, da fala, e é preciso cuidar também do conteúdo do que se fala e faz.

Existem pessoas que nos encantam com suas palavras, mas precisamos também examinar os gestos e movimentos vindo de quem fala.

Falar é tão fácil…

Cuidemos para refletir sobre o conteúdo da fala. Muitas vezes, sem que percebamos, somos encantados com falas eloquentes e com apelo sentimental. Neste contexto, a dúvida é a melhor amiga, pois ela leva a reflexão, se estamos mesmo honrando nossa palavra e fazendo aquilo que é verdadeiro para cada um.

Quem ainda não assistiu o vídeo, recomendo. Trata de ações simples, corriqueiras, mas se não paramos 1 segundo para perceber, nada muda!

E cada um de nós, que através de  pequenos gestos somados, possamos levar a uma boa diferença!

Boa semana a todos!

Miriam Halpern
Psicologa e Psicanalista
mhalperng@gmail.com

A amante

Na Vogue de março há uma matéria sobre Anne Pingeot, amante por mais de 30 anos de François Mitterand, ex-presidente da França e um dos políticos mais influentes do século XX. A história deles é extraordinária no sentido literal da palavra: não tem nada de ordinária. Danielle, a mulher de Mitterand, e seus filhos conheciam Anne. Mais: Anne e a filha viviam num anexo do Palácio do Eliseu, palácio oficial da presidência da França. Ou seja, próximas da família “oficial”. O que faz uma mulher virar amante, daquelas fixas? No caso de Anne por mais de 30 anos? Dinheiro, a maioria dirá. Talvez. Não muito diferente das mulheres que mantém casamentos há muito tempo acabados pelo mesmo motivo. Elas mantém esses casamentos em nome da família, alguns defenderão. Nem todas, vamos convir. Portanto, se isolarmos a questão do interesse financeiro que permeia de alguma forma e em diferentes graus boa parte das relações, qual mais poderia ser a razão para uma mulher sustentar uma relação amorosa com alguém que raramente estará com ela nos momentos considerados importantes? Vamos dificultar a reflexão imaginando nossa mulher-amante como alguém com educação formal e uma boa independência.

O amor! Dirão os mais românticos. Sim, pode ser um bom motivo. Ainda se acreditamos que o amor suporta tudo, apoiados na crença de que o amor impõe sacrifícios; embora penso que o amor – e a vida – impõem escolhas, que não chamo de sacrifício. O desejo de liberdade, será a resposta de outros. Também possível, se ama alguém, sempre o mesmo, numa relação que tem regularidade e estabilidade e ao mesmo tempo se é livre para ter uma vida independente.

Auto-estima baixa, pensarão outros, afinal a mulher se submete a viver à sombra, de não ser a oficial publicamente, com tudo que isso carrega de carga social. Podemos pensar nessa possibilidade se acreditarmos que ser oficial é mérito, se os papéis sociais são tão importantes assim na nossa vida. Sem-vergonha, esbravarão indignados a turma do politicamente correto. Ah! sim, vamos concordar que precisa ter pouca vergonha para assumir uma situação dessas.  Paixão, dirão os mais afoitos, penso que ela leva muitas mulheres a ficarem presas a uma relação por anos, porém, a paixão sobrevive a muitos anos? Tenho minhas dúvidas.

Quanto mais estudo o ser humano mais compreendo que são tantas nuances, tantas variáveis que toda leitura estereotipada no mínimo será leviana. Não pretendo aqui fazer uma apologia às amantes ou as não amantes. Minha reflexão esta semana recai sobre dois aspectos: o primeiro é a opção de viver uma relação ilícita por décadas. Uma relação fora do padrão, que caso não seja claro para a outra parte, no caso a mulher dita oficial – estará contribuindo com uma traição amorosa, com a quebra de lealdade e honestidade que tanto queremos nas relações. Mesmo que digamos não nos importar com o que as pessoas pensam, fomos criados nessa sociedade, somos filhas de seus valores e crenças e nos colocarmos contra o sistema, carregando o peso moral da dor que causa uma traição, sempre deixará marcas doloridas também em nós.

O segundo aspecto que trago para reflexão é sobre a complexidade que permeia as relações humanas o que torna difícil analisar e julgar. Qualquer julgamento sem profundidade estará embasado em estereótipos, em preconceitos que nos isola e nos separa. Podemos, como sempre, não querer para nós um estilo de vida, que as escolhas dos outros nos atinja diretamente – indiretamente, é inevitável – mas compreender que cada um é movido por um sistema complexo que envolve sentimentos, valores, crenças e contexto, ajuda a se solidarizar com outro, apesar de não concordar. Ler a matéria sobre Anne Pingeot também me fez pensar na esposa que aceita uma situação dessas. Mitterand, segundo a revista, dormia todas noites com Anne e passava o final de semana com ela. Isso quer dizer que, no fundo, quem era a oficial? Porque uma esposa aceita essa condição? Como diria Shakespeare “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.

O compromisso de ser mulher…

Venho pensando, já há muito tempo, sobre o que é ser mulher. Temos o dom e a responsabilidade de continuar a espécie.

Isso por si só já é um ônus pesado e a meu ver, suficiente para que tivéssemos o respeito de quem quer que seja. Mas não é bem assim.

Há poucos dias, vimos a notícia que, uma das mulheres mais lindas do Brasil, foi agredida fisicamente por seu companheiro de 5 anos. O fato de ser linda e famosa, não a protegeu de ser tratada ou melhor, maltratada por aquele que deveria honrá-la e protegê-la.

Mulheres, por constituição biológica, tem menos força física e assim deveríamos ser amparadas e ter o suporte daqueles com quem vivemos e dividimos nossos momentos e espaço.

É claro que somos humanos (homens e mulheres), e muitas vezes perdemos a razão ou nos descontrolamos, mas mesmo assim, o que seria da humanidade sem nós, mulheres? Extinguir-se-ia?

Como os homens sentir-se-iam potentes e capazes de gerar um filho sem a presença feminina? Sem a colaboração e disponibilidade das mulheres?0000

Presencio, muitas vezes, mulheres competindo entre si, quando o ideal seria unirmos energia e assim podermos ser femininas sossegadas, afinal, não há trabalho mais nobre do que ser responsável pelas futuras gerações e os caminhos da Historia.

Construir as gerações e o futuro, esta em nossas mãos, Mulheres!

Que tal darmo-nos a devida importância e ficar sossegadamente fazendo o que de mais importante existe? Cumprir o que a natureza nos deu de mais significativo que é a feminilidade e o feminino!

Fica a reflexão para vocês!

Até a próxima!

Miriam Halpern
mhalperng@gmail.com
psicóloga e psicanalista