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As mulheres leais a si próprias

Esta semana minha homenagem no mês das mulheres vai para aquelas que ousaram fazer um caminho diferente do que se esperava delas. Me refiro àquelas que decidiram, por motivos não ligados à saúde, não amamentar; aquelas que decidiram antecipar sua licença maternidade e colocar os filhos na creche para voltar ao trabalho que tanto as nutre e lhes dá prazer; aquelas que decidiram não casar ou morar junto e vivem a vida numa boa namorando mesmo que seja por anos o mesmo homem; ou mesmo aquelas que decidiram não ter filhos e viver somente a dois ou a um, boa parte de suas vidas.

Penso nas mulheres que decidiram manter seu maravilhoso corpo cheinho e vão rindo delas próprias enquanto tentam, sem muito afinco, emagrecer. Aquelas que dificilmente usam maquiagem, pintam a unha, e estão surpreendentemente bonitas e cuidadas; àquelas que usam somente sapatos baixos porque preferem o conforto de preservar a coluna e os quadris. Para essas mulheres fora do sistema, minha homenagem.

Sabe aquela amiga que sempre parece um bicho estranho no ninho? Aquela que parece estar sempre numa outra direção do que da maioria? E não me refiro aqui àquelas que o fazem para levantar bandeiras, para provocar sendo sempre a turma do contra. Não. As mulheres que homenageio esta semana são aquelas que mais do que aceitação ou confronto social, preferem ser fiéis a seus valores porque é isso que as estabiliza, é isso que as mantém vivas.

Gosto de observar essas mulheres e aprender com elas. São mulheres que tem uma firmeza suavizada no olhar, são mulheres que evitam a discussão do certo e errado que tanto as julga porque sabem que será difícil explicar seus motivos para a turma do politicamente correto. São mulheres profundamente conectadas com seu sentir, com o que está dentro delas e não fora; e por isso conseguem transmitir a segurança pacificada de quem sabe o que quer e que, mais cedo ou mais tarde, irá conseguir.

Para essas mulheres, os meus parabéns e minha gratidão por nos mostrar que existem mais formas de viver. Por nos lembrar que a sabedoria para uma vida plena começa com a lealdade com nós mesmos, por aquilo que é mais sagrado em nós: nosso sentir.

Nany Bilate
www.behavior.com.br/blog

Solteiras, desimpedidas e com uma vida divertida e plena.

Tenho refletido como estamos caminhando aos poucos para modelos mais variados de formas de ser femininas. Esta semana irei falar das mulheres que preferem estar só a mal companhadas. Meus estudos mostram que a grande maioria dos brasileiros quer encontrar um amor romântico-companheiro, muitos na tentativa vivem relacionamentos difíceis que os frustam e é por isso que um número significativo de mulheres está cada vez mais optando por continuar na espera – e não mais na busca – do amor companheiro sem grandes ansiedades, trabalhando, vivendo e se divertindo de forma plena e alegre. Quem são estas mulheres?

São mulheres divertidas e lúcidas. Creio que esses são dois dos principais pontos de diferença daquelas mulheres que dizem não fazerem questão de estarem com algum homem mas apenas algum lhes dá atenção se voltam com tanta ansiedade à relação que terminam assustando o candidato. Tampouco são mulheres frustradas e cheias de traumas que temem as relações amorosas. Nem mulheres cheias de manias que criaram um mundo ao seu redor, na opinião delas, perfeito, que não permitem ninguém entrar e modificar um milímetro dele.

As mulheres que tenho observado que vivem muito bem só, são, na sua maioria, profissionais com uma vida financeira estável ou auto-sustentável o suficiente que lhes permite gastar no lazer sem culpa nem irresponsabilidade. Boa parte delas não tem filhos, ou dividem bem a responsabilidade materna com seus ex, familiares ou funcionários. Costumam ter riso fácil, possuem uma rede diversa de amizades – vamos lembrar que mulher só nem sempre é bem-vinda em todas as rodas. Divertida e bonita, pior a receptividade por parte das mulheres casadas (veja meu post sobre esse tema em “Quando teu companheiro paquera outra mulher, ela é a responsável?” AQUI). Estas mulheres não temem em se divertir e explorar novos territórios, seja no estudo, seja no lazer. Obviamente a opinião alheia lhes pesa menos que a maioria, para aguentar a pressão de não ter alguém ao lado.

Chamo elas de lúcidas porque não deixam que o desejo de amar e ser amadas venha da carência afetiva ou da baixa auto-estima. Muitas mulheres possuem a crença que são bonitas ou perfeitas se tiverem um homem ao lado delas. São crenças profundas que as guiam mesmo sem saber. Quando não encontram um homem a auto-estima sobre sua feminilidade fica afetada. Isso explica porque elas aceitam homens que não as merecem ou se jogam com tanta ansiedade numa nova relação.

As mulheres que observo e que lidam bem com o fato de estarem solteiras e desimpedidas estão abertas ao amor e flertam com tranquilidade mas talvez pela experiência, reconhecem de longe os homens e suas manias. A vida que possem é tão boa, prazerosa e plena que precisa realmente valer a pena um novo amor. E normalmente esse novo amor não exige delas que abram mão da liberdade que conquistaram. Por outro lado, pela consciência do que as deixa bem, fazem as escolhas que precisam ser feitas para uma nova relação entrar sem sofrer. São mulheres que amam muito e de forma intensa. Elas sabem que não é fácil encontrar homens especiais, por isso quando eles chegam, abrem passagem com felicidade; e entanto não chega, passam a vida produzindo e se divertindo.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensad
ora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br