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A utilidade das relações: o convite para uma nova dança

Domingo assisti ao filme Amnésia que me fez lembrar como é importante perceber a utilidade das relações. E como é sábio poder perceber isso no mesmo instante que acontece. Vivemos hoje em dia as relações de formas tão mecanizadas que perdemos a poesia que o encontro com alguém traz.

Costumamos pensar nos relacionamentos afetivos de forma romântica, acreditando que o amor nos une a alguém inexplicavelmente e que a felicidade surge a partir dessa união como um milagre. O que pouco pensamos é o quanto as relações são úteis – e necessárias – para caminharmos pela vida. Mesmo aquelas que nos fazem sofrer.

Pode haver utilidade premeditada, explícita ou não. Neste tipo de relação, quando o interesse não é velado, ambos podem aproveitar dessa troca consciente sem necessariamente cair nas armadilhas do exercício de poder.

Porém, há outras utilidades mais espontâneas.  Aquelas que vêm necessariamente quando nos relacionamos com alguém, especialmente de forma afetiva. Adoro observar o encontro de duas pessoas e como essa aparente casualidade afeta significativamente cada uma delas.

Se tivéssemos a sabedoria de observar e aproveitar os novos ventos que uma pessoa traz às nossas vidas, pararíamos de chorar pelo término das relações que nasceram para partir, e nos alegraríamos por aquilo que conseguimos viver e transformar. Olharíamos as pessoas com mais curiosidade e atenção, abertos à dança que é ofertada num salão bem maior do que poderíamos sonhar. Cada pessoa com quem nos relacionamos tem um dom que pode influenciar diretamente as nossas vidas. É só permitir. É só ficar atento.

Adoraria terminar com a frase que Martha, a personagem principal do filme Amnésia disse a Jo, o jovem rapaz que sonha em ser DJ, mas não quero ser acusada de fazer spoiler.  Se gosta do ritmo e tempo do cinema europeu, recomendo ver esse filme para sair leve e doce, pronto para reconhecer – e agradecer – a utilidade nas nossas vidas das pessoas ao nosso redor.

Leia o texto na íntegra aqui.

Boa semana a todos.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

Viva o amor romântico!

Ah, o amor romântico! Reinicio meus textos após um período de descanso homenageando esse tipo de amor na semana que celebramos o Dia dos Namorados. Podemos querer ser independentes, podemos querer ser livres e autônomas; podemos ter o sonho utópico da escolha ilimitada sobre nossas vidas ou acreditar piamente no destino previamente traçado, mas seja negando, seja aceitando, seja racionalizando, ou mesmo seja buscando-o loucamente, o Amor Romântico nos persegue como um fiel cachorro desde que foi criado com o Romantismo, movimento artístico, político e filosófico, no final do século XVIII, início do XIX.

Desde então, amar e ser amada com certa dose de sofrimento que será compensado pela vivência do amor sem limites e duradouro além de nossas vidas terrenas, vem nutrindo nosso imaginário de vida; gerando em nós o aspiracional que provavelmente nos levará à frustração. Que o abençoado Santo Antônio o diga! Virado para baixo, virado para cima, dentro de um copo de água, de castigo ou no altar em agradecimento; esse santo casamenteiro continua sendo chamado para atender as almas solitárias que tanto buscam o aconchego da relação a dois.

E não é que amar romanticamente, é bom mesmo? Estar apaixonada faz o dia ficar mais leve e bonito, sim. Rimos com facilidade, nossas emoções ficam mais evidentes, nossa sensibilidade aumenta e o senso de ridículo diminui, inevitavelmente. Aquilo que até ontem nos parecia cafona e piegas começa a fazer sentido. Estar ao lado da pessoa, parece a coisa mais importante a se fazer na vida. Podemos tentar ser racionais, profissionais e manter a postura de certo distanciamento para os outros; colocar aquela cara de intelectual que pouco se abala, mas, para que mentir para nós mesmos se o que desejamos, no fundo, é correr para estar ao lado do nosso amor?

Dizem que a rotina mata o amor romântico. Dizem que o amor romântico eterno só existe porque um dos dois morre cedo… seja qual for a razão, o amor romântico parece ser fadado ao fracasso engolido pelo lado prático da vida. Será que o amor romântico não poderia ser equilibrado com um pouco de praticidade? Será que a vida com a sua correria e suas obrigações que exige de nós escolhas, esforço, raciocínio lógico e boa dose de praticidade não pode ser combinado com o amor romântico? Pois eu penso que sim. A vida cotidiana precisa de poesia. A vida precisa de leveza, de sonho, de fantasia. A vida precisa de atos ridículos, de risos nervosos, de gestos inofensivamente impensados. A vida precisa de vida. E a vida é tudo isso, responsabilidade e loucura, bobagem e seriedade, doçura e firmeza. O ponto é a dose com que temperamos cada um desses aspectos. Sem essa mistura, a vida fica seca, dura, árida. Insuportável. Feliz tempo do amor romântico para todos nós.

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br/blog

Coisas da Vida de todas nós

Domingo…

Dando uma volta em meu facebook, vejo uma enquete sobre idade de maternidade.

Começo a lembrar de quando fui mãe pela primeira vez: tinha 21 anos, e era um sonho. Lembrei-me que aos 15, já sonhava em ter minha família.

Ter um bebê, deixar de ser filha para ser mãe! Ter meu bebê em meus braços foi uma realização.

Ir pra casa, com aquele pacotinho de gente, que orgulho!

Mas logo começa a confusão! O bebê chora, faz cocô, trocar fralda, soluça, tem fome… Isto não estava nos livros!

Será que não estava ou eu que não queria acreditar, afinal, meu bebê era uma jóia querida. E certamente não teria nada disto: cólicas, fome, vômitos… nos meus sonhos meu bebê seria perfeito!!!!!!!!!

Mas o bebe tem seus horários, suas vontades e sua personalidade.

E ai? O que faço com todos os meus sonhos e planos?

CHOQUE!!!!!!!!! A realidade é bem outra. O bebê chora a noite, quer mamar… mas será que ele não entende que estou cansada? Com sono? Que dificuldade…. Mais ainda por ter sido mãe tão jovenzinha…

Neste último domingo, o primeiro de um friozinho gostoso, estamos em casa, e recebo meus 2 filhos e suas esposas para almoçar. A netinha vem também, é claro.

Estamos todos conversando na sala, quando o “bebê” do qual falo acima, chega sem avisar! A família está completa!

Este entra e sai em casa, me faz ver que valeu a pena as noites mal dormidas, as cólicas e o cansaço!

Portanto eu digo: Meninas não desistam! Vale a pena!

Afinal, filho é pra vida inteira, felizmente!

 

Miriam Halpern
Psicologa e psicanalista
mhalperng@gmail.com

Paciência

Paciência

“O Paraíso não é um lugar, é um breve momento que conquistamos”

                                                                                                     Mia Couto

Empresto este pensamento do meu favorito pensador para escrever este texto.

Ando cansada, desanimada e busco inspiração em Mia, escritor residente em Moçambique, que viu muita guerra civil em seu país e inspirado em suas experiencias, escreve livros e poesias belíssimas.

Vivemos em um país abençoado: quanto a natureza, temos tudo aqui: águas, ventos, rios, terra cultivável, nunca experimentamos um vulcão em erupção, nem terremotos devastadores (me corrijam se estiver equivocada).

Vivemos um período social turbulento, e de perplexidade econômica.

Sonhar com a paz e prosperidade é o desejo de todos, porem, para lá chegar, é preciso muita paciência e perseverança.

Mas haja paciência!

Vejo em Mia uma paciência imensa, um entendimento da natureza humana.

Óbvio que não sei por quantas dificuldades passou e os momentos de insucesso. Estes ninguém quer contar!!!!!!!

Percebo em suas entrevistas um aspecto delicado e humano.

Faz-me sonhar! Sonhar que dias melhores virão.

O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?

Será que virão mesmo, estes dias melhores?

Que venha o paraíso! Mas logo, pois minha paciência está acabando!!!!!

Miriam Halpern
Psicóloga e Psaicanalista
mhalperng@gmail.com

Conversando sobre Expectativas…

Sempre que nos movemos em direção ou busca do que quer que seja, estamos motivados e esperançosos, de  poder ser mais feliz.

Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Hollanda:

Expectativa: (do latim, expectatu, “esperado” + iva). Esperança fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas.

Vamos nos deter um pouco no significado de cada uma delas? e também quem sabe, em nossos sentimentos, esperanças e desejos? e porque não, reconhecer, que dentro de todas elas, esta contida o sentido da expectativa, como algo provável, porém não certo, uma ansiedade de realização, mas que não podemos nos esquecer, de que nem sempre as tentativas.

são bem sucedidas.

Toda a pessoa tem dentro de si a necessidade de realização, além de que temos este direito.

O que dizer então, quando decidimos formar uma família, ter filhos?

Para muitas mulheres, ser mãe é a constatação, ou melhor, o “atestado de competência” da função feminina, da maternidade.

Sonhos, esperanças, projetos e a tal da expectativa com toda força.

Obviamente desejamos filhos bonitos, saudáveis, principalmente. O resto, o tempo mostrará.

A barriga crescendo, a sensação de ser “casinha de gente”, o papai encantado, o enxoval, os móveis… e a expectativa!!

Como será? Quando? Correrá tudo bem? Meus desejos serão atendidos? E nossas expectativas, satisfeitas?

Que ansiedade, esta espera…

Podemos passar agora e usar esta situação corriqueira, e pensar na expectativa contida em uma escolha profissional.

O curso, a opção da especialização… o esforço que todos fazemos, sempre esperando que tudo saia muito bem. Geralmente, ao optarmos por o que quer que seja, não pensamos em que pode não ser como o desejo, afinal, “não se abre uma loja, para que tudo não corra bem e certo!!”

Formatura, sonhos, projetos, e ai esta!

Com então suportar os desapontamentos que provém do contato real, do dia a dia…

Voltemos então a simples situação familiar…

Chega o grande dia! Todos correm para conhecer o novo membro da família.

Enfim, estamos diante de alguém, delicado, desconhecido, talvez diferente daquele que foi construído em sonhos, e…(não é semelhante à construção do sonho profissional?).

Que susto!!!!!!, penso eu. Quem é este sujeito, que chora, sem dentes vermelhinhos, e ainda ouço “Parabéns, é uma linda menina!” (mal sabem eles que preferia menino, mas enfim, vamos lá).

Pronto: começou a gincana! O bebê chora, ou então, quantas queixas escuto…

Era isso mesmo que queria?

Sonhava em poder ajudar pessoas, melhorar condições de vida…  (Então sorria! Vá em frente.).

Aquele bebê desejado, bonitinho, nos meus planos, jamais teve febre ou dor de barriga, nem em minha prática, algo em meus sonhos sairia errado ou se complicaria…

Pois é, assim começa a realidade do dia a dia, sem sossego, sem tempo para si.

O que fazer com os sonhos, com os planos?

Como suportar as frustrações decorrentes de toda uma expectativa construída por um longo período.

O que fazer diante de expectativas frustradas.

Como suportar a constatação, de que seres humanos são complicados, inesperados e difíceis…e, de que as ferramentas da legislação, podem ser “lidas” de formas diversas.

E que nem sempre, aquilo que foi feito ou dito, é justo?

Afinal, o que é mesmo justiça?

Como ser justo?

Administrar frustrações, não é das coisas mais fáceis.

Ainda mais quando estamos todos cansados, e com a sensação de insuficiência e de solidão presente.

Poder conviver com desapontamentos, reformular posições, repensar, repensar…

Talvez admitir nossa condição humana, frágil e limitada, seja uma das questões mais dolorosas que temos que enfrentar ao longo da vida. Em qualquer âmbito.

Mas, poder fazê-lo, reconhecer as limitações talvez seja o único caminho.

Onde sejamos gente, com seus desapontamentos, suas incoerências e idiossincrasias. Humildemente.

Afinal, gente é tudo isso mesmo. Ainda bem!