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As filhas que viram o que as mães não conseguiram ser

A relação mãe e filha é sempre intensa. Às vezes conflituosa. Por isso creio que é um tema que nós mulheres, devemos revisitar periodicamente, tanto por sermos filhas, como provavelmente várias de nós, sermos mães de meninas que um dia se tornarão mulheres com suas próprias vidas e destinos.

Esta semana irei refletir sobre as mães que desejam concretizar o futuro não realizado através das filhas. Conheci várias. Elas normalmente vem de uma situação financeira inferior do que projetam para sua filhas – sim, o dinheiro e a posição social, associados ao poder, jogam um papel importante para esse tipo de mãe – e desejam que suas filhas sejam o sucesso que elas imaginam deveriam ter tido. Devemos entender sucesso aqui como a vida de mulheres que demostra em todos os detalhes que tem poder. Esse poder pode ser através de uma aparência requintada ou mais exagerada, mas todas ambicionam serem consideradas poderosas. Pode ser casar com alguém com posição sócio-econômica alta e poder andar com carros caros, viajar e conhecer lugares fashions… o importante é que a filha viva o estereótipo clássico e óbvio – aliás a obviedade é  muito importante –  já que é relevante que todos saibam e percebam que atingiu uma condição financeira superior à sua origem.

A relação dessa mãe e dessa filha é viceral. A mãe se sacrifica o tempo inteiro pela filha, jogando dessa forma um sentimento de culpa nela e com isso manipulando-a para que siga o caminho que a mãe traçou para ela. Por outro lado, a filha sente-se muito amada e protegida, muitas vezes mimada, e esse amor e mimo vão concretizando nela a crença de que é um ser especial. Alguém que a vida lhe reserva o destino de princesa. Essa filha vai pela vida vivendo o destino previamente traçado, escolhendo amizades e amores que a levem para o reino esperado. Como boa pretendente a princesa essas filhas costumam ser poupadas das tarefas domésticas mais árduas, o corpo e a estética, assim como a vestimenta, são bem cuidadas e planejadas, mesmo numa família com poucos recursos.

O perigo que costumo observar nesse modelo de relação mãe – filha é a infelicidade não entendida que a filha tem com a vida. O príncipe nem sempre virará rei – se não se converter num feio e grande sapo. Muitas culpam os homens de sua infelicidade, mas poucas conseguem perceber a relação de poder e submissão em que foram envolvidas desde muito cedo. Como romper essa relação manipuladora com a mãe? Situação difícil que precisa de muita dor – a dor costuma nos mobilizar – e coragem para olhar para esse ser que tanto amamos, nossa mãe, com os olhos da lucidez que conseguem entender que antes de ser mãe, ela é um ser humano com dores, traumas e sua própria escala de valores e crenças. Para as mães, minha sugestão é refletir sobre a vida que não volta, a sua própria; e com isso deixar de colocar na filha o destino que não conseguiram ou o status de troféu que precisa ser mostrado a todos. Lembrar que amor é permitir que a filha escolha seu próprio caminho de felicidade porque afinal, querer que os filhos sejam realmente felizes, não é o melhor troféu na vida de uma mãe?

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br

Que mulher você quer ser em 2017?

Vai chegando o final de ano e parece que o mundo vai acabar. No último mês do ano surge uma lista de tarefas adicionais, que, sinceramente, não sei como conseguimos cumprir: é festa da escola das crianças, encontros com os amigos que parecem que após dezembro irão morar em outro planeta, presentes a serem comprados, decoração de final de ano da casa, roupas das crianças, escolhas para entreter crianças nas férias, compromissos de fim de ano da empresa… e ainda cuidar para não engordar e colocar a perder todo o sacrifício dos últimos meses.

Para mim o fim do ano é o fim de um ciclo. O fato de pensarmos e vivermos a vida condicionadas ao calendário anual e darmos tanta importância às festas de final de ano, ajuda a criar um ciclo de doze meses nas nossas vidas. Não importa se você é contra o calendário Gregoriano ou não; o que importa é que muito da nossa vida é regido por ele.

Sendo assim, sinto que é uma época para baixar a poeira das atividades – exatamente o contrário do que fazemos. É um período para voltar para dentro de nós e refletir sobre o ano que se vai e o ano que está para entrar nas nossas vidas. Pensar em todas as oportunidades que essa mudança pode representar nas nossas vidas. É o tempo de escrever, ligar, gravar mensagem para aqueles que estiveram conosco de forma especial. É o momento de agradecer e de doar amor. É o momento de refletir quem queremos ser no ano que entra.

Costumo ouvir que a sociedade está doente, que o mundo que vivemos não é o mundo que gostaríamos de viver,  mas é importante lembrar que quem faz o mundo somos nós, especialmente o mundo ao nosso redor. Sim, acredite, o mundo reage à forma como agimos com ele. Muita da realidade que está ao nosso redor, bem próxima, foram escolhas nossas. Viver no automático, nas tarefas, sendo conduzidas pela vida e pela sociedade, costumam ser escolhas; as vezes difíceis, as vezes pouco conscientes, as vezes limitadas. Porém, acredito, que a forma como reagimos às situações que a vida nos impõe, é nossa responsabilidade.

Por tudo isso te convido a refletir a partir de hoje, próximo do dia que termina o ano no calendário Gergoriano, sobre o seu ano de 2017, sobre qual tipo de mulher você deseja ser ou continuar sendo. Sobre o quê você abriria mão, que você sente que não te faz mais bem, e ao quê você abriria espaço para entrar na tua vida. Você terá mais um ano de vida, serão 365 dias para viver, realizar, conviver, rir e chorar. Como você espera terminar 2017?

Silenciar, parar, respirar longa e profundamente. Fazer uma pausa para recomençar e permitir que teus sentimentos mais profundos e as vezes abafados, venham a tona e guiem você para 2017. Que a mulher que você quer ser, se manifeste. Esse é meu desejo de virada de ano para você.

Feliz ano novo!

Nany Bilate
Pesquisadora, pensadora e fundadora da Behavior, centro de estudos sobre valores e crenças sociais.
www.behavior.com.br

O que é ser Bella? Sobre pertinência e singularidades.

 

Recentemente, assisti 2 desenhos:
Kung Fu Panda, que acho genial; se alguém não viu, é a história de um Panda que quer ser lutador de Kung Fu. Alguém imagina isto? Característica de todo urso é ser grande, gordo e desajeitado.
O outro foi Shrek 2, onde a Fiona, leva seu marido Shrek (um ogro), conhecer seus pais no reino “Far Far Away”.
Fiona, uma princesinha amaldiçoada, que durante o dia é Ogra, e a noite uma linda princesa, até ser resgatada pelo Shrek e beijada com amor para ser sua verdadeira aparência… E surpreendentemente, tornar-se a ogra Fiona: verdinha, cintura grossa e desajeitada.
Apesar disso apaixonada e feliz com seu ogro Shrek, morando no pântano e amiga de um burro!
E o que tem um a ver com o outro?

Ambos são fora dos padrões da nossa cultura, do que é ser belo e de boa aparência e tem o sonho de ser aceito do jeito que são. Ambos não acreditam ser possível realizar seus sonhos e mesmo assim, desafiam o que existe em seus mundos, e tentam achar seu lugar de pertinência.
Cansam-se de ficar submetidos às tiranias de padrões existentes, mas reconhecem em si uma força, e persistem na busca da própria realização.
Este modelo de perseverança e energia, faz-me pensar em quanto estamos contaminados por padrões de beleza e poder. Muitas vezes esquecendo do que gostamos e o que faz sentido para cada um.

Sabiam não existir 2 vozes iguais? E cada um, em nosso planeta, tem orelhas únicas? Pois é… Características e preferencias individuais, cada um com suas singularidades e tendências.
Isto é o que encanta: a possibilidade de escolha, de individuação, e saber que quase tudo pode se transformar, enquanto buscamos viver melhor.

Miriam Halpern.
Psicologa e Psicanalista.
Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanalise de São Paulo (SBPSP).
Docente da SBPSP.
Membro da International Psychoanalitical Association of London.
Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Mackenzie.
Membro da IPSO, Paris.