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submissão

Refletindo sobre humildade, humilhação e subserviência…

Estava aqui a pensar sobre este espaço que tenho. Gosto de escrever.

Tempos turbulentos, este nosso… leva-me a pensar no papel de cada um dentro da sociedade, micro (família, escola, etc) e macro (cidadãos do mundo).

Precisamos uns dos outros, pois sem o outro, não temos significado como pessoas, agentes de transformação e de amor.

Ouvimos muito falar em humildade, ser humilde… mas que significado tem este exercício? Será uma ação voluntária ou o reconhecimento de não saber, de precisar do outro para viver, humilhante? Ou estamos vivendo um momento histórico confuso?

Vou ao dicionario, meu assistente…

– Humildade: Simplicidade, qualidade de quem é simples, modesto, humilde

– Humilde: Modesto; que tem noção de suas limitações

– Humilhação: Ação pela qual alguém humilha ou é humilhado; afronta, abatimento, submissão

– Subserviência: Ato de servir de maneira voluntária; característica de quem se dispõe a atender as vontades de outrem; qualidade ou estado de pessoa que cumpre regras ou ordens de modo humilhante.

Sei que essa questão é bem complexa, mas intrigante também.

Ser humilde, não significa ser subserviente ou passível de humilhação.

A humildade, é característica de quem pode reconhecer suas dificuldades e limitações. É de extrema grandeza. Reconhecer suas possibilidades não implica em fraqueza. Ao contrário: expressa uma propriedade de si e respeito a quem é, e ao outro. Simples e direto.

A subserviência traz tristeza e pequenez. A falsa ideia que assim, se faz mais querido e aceito. Grande engano! O custo em deixar de se respeitar é alto e desgastante, pois implica em criar uma imagem de si artificial e perigosa, levando assim ao descredito de si mesmo e consequentemente, descredito geral. O grande problema, é perder-se de si, ou melhor, não saber mais quem de fato é, e o que faz sentido para si.

Vou parar por aqui, pois já temos assunto para mais de metro…

Até breve.

Miriam Halpern
Psicóloga e Psicanalista
mhalperng@gmail.com

A Sofia dentro de nós.

Em 1762 o filósofo suiço Jean-Jacques Rousseau escreveu Emílio, um obra sobre como devia ser a educação do homem – e da mulher – para obter uma sociedade virtuosa e perfeita. Rousseau dedica um capítulo à educação das mulheres: Sofia. Sofia trata de como educar a mulher ideal para Emílio. Nele podemos entender o que significava uma mulher perfeita para a época: submissa ao homem, com pouco ou mínimo acesso à educação formal, dedicada aos filhos e a família. Que deveria “aprender desde cedo a sofrer injustiças” e distrair seu marido através de artes como cantos e danças. Ainda, como as mulheres possuíam certa “indocilidade” era importante, segundo Rousseau, que “sejam submetidas desde cedo” a este modelo criado por ele para disciplinarem seu caráter.

Emilio é uma leitura obrigatória para entender a série de crenças sociais que constituem o que é ser mulher – e homem – e, por mais distante que pareça o ano de 1762, até hoje influenciam nossas escolhas e comportamentos. Com o passar dos séculos, os comportamentos se modificaram e podemos não ser submissas como eram nossas avós ou bisavós que calavam e temiam seus maridos; entretanto, mesmo com toda a independência que ganhamos, reflita comigo como muitas de nós estamos dispostas a perdoar os erros do companheiro com facilidade, independente da quantidade de vezes que esse erro se repete; o quanto temos o ímpeto de “atender” as vontades de nossos companheiros mesmo que isso signifique abrir mão da nossa; de tratá-los com certa complacência, como se não fossem capazes de suportar uma negação ou frustração.

Pense que talvez nessas atitudes e comportamentos cotidianos existam a semente da Sofia de Rousseau plantada dentro de nós. Nossa submissão não é de serva como antigamente, mas é demostrada, mesmo que com roupagem moderna, quando colocamos o homem, nosso homem, num espaço privilegiado e protegido. Algumas podem dizer que é natural à mulher esse tipo de atitude, que é o lado maternal que brota, que a mulher é acolhedora e nisso radica sua feminilidade… crenças que recebemos desde que nascemos e que ao internalizar e transformar em comportamento, transmitimos para nossos filhos.

Meu convite esta semana é refletir o quanto o ideal feminino que nos guia está associado à mulher que nasceu para atender, satisfazer e fazer feliz o homem que está ao seu lado. O quanto chamamos essa crença de amor. O quanto essas crenças nos afastam do sonho maior que permeia boa parte das mulheres que ouço: o de amar e ser amadas numa relação romântica-companheira. Nessa relação o companheirismo está representado pela equidade, direitos e deveres iguais. Numa relação em que alguém está sempre em destaque, pode haver carinho e amor mas não haverá, certamente, equidade.

Nany Bilate
www.behavior.com.br/blog