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Dores e frustrações

Dores, frustrações e desapontamentos

Muitas de nós passamos por momentos de dificuldades e contrariedades.

Li um relato de uma mãe por descobrir limitações sensoriais em seu filho.

Isto mobiliza em mim um desejo antigo de refletirmos sobre as imperfeições da vida e os desafios que somos levadas a enfrentar. Além de desmoronar planos e sonhos.

Muitas coisas surgem na cabeça: raiva, tristeza, frustração, receio de ter gerado uma criança com “defeito”… não é fácil! Como assim? Nada disso está nos planos de quem quer que seja. Sei bem disso.

Mas o que ocorre? Sonhos demais? Realidade de menos, ou sonhar faz parte da vida e nos impulsiona a ir adiante?

A primeira coisa que costumamos fazer, é procurar um responsável pela “falha na programação”, pois afinal quando imaginamos um filho, ele vem cheio de esperança e felicidade.

Mas quem foi que trouxe esta surpresa inesperada? A mãe costuma se perguntar se fez algo errado na gravidez, ou se isso seria um castigo…

Pergunto: que diferença faz? Por acaso alguém vai deixar de gostar de um filho, se este traz com ele tal desafio?

Ou melhor, que tal olhar esta prova como um problema que felizmente pode ser solucionável? Uma criança com dificuldades visuais ou auditivas, por exemplo:

Acredito que portador de miopia, ficará feliz quando isso for corrigido por lentes, e talvez, (assim espero), no futuro fazer uma cirurgia corretiva.

E quando for atendido e aparelhado com óculos adequados, vai ver a vida de outra forma e enxergar que seus pais estão ao seu lado para orientar seus passos e caminhar mais seguro.

Creio que esta criança deveria ser insegura e irritada, por não ver corretamente e agora, com o diagnóstico correto, poderá ver e assim enxergar. Esta ganhando a chance de ver as cores, pássaros, natureza e quem o cerca de carinho e cuidado.

Sei de uma criança com limitações auditivas, que ao experimentar seus aparelhos de amplificação sonora, nunca mais quis deixar de usá-los, pois passou a “ouvir o mundo”, seus sons, sua música de forma melhor, e assim pôde aprender a falar. Sei também, que sua mãe ao ser questionada por outra criança curiosa em um parquinho sobre “o que ele usa na orelha?” respondeu: “ são óculos de orelha! Óculos são pra ver melhor, não é? Pois estes aparelhos são para escutar melhor, ou seja, óculos de orelha”! Assim o pequenino inquisidor ficou satisfeito e continuou a brincar alegremente com o usuário do óculos de orelha!

Sei que não é fácil ser mãe de uma criança com necessidades e cuidados extra, mas também, viver tudo isso pode ser um upgrade na vida, ter sensibilidade, delicadeza e cuidado. Pode também ajudar e compreender melhor que a vida é cheia de “acidentes”, que podem trazer uma compreensão diferente e aguçada.

No mínimo, temos 2 alternativas: Lamentar o destino e ter pena de si, ou ir atrás da melhor solução para o problema inesperado, e assim se dar conta da força interna que existe em cada um de nós. Acho a segunda alternativa melhor e mais produtiva.

Mudança de valores e prioridades.

Creio que uma experiência destas, traz consigo “óculos” para todos: para a criança, para seus pais que vão enxergar e escutar a vida de outra forma, com carinho e compreensão (mas sem excesso de proteção), e para os profissionais da saúde, que afinal precisam vestir os óculos da humildade e reconhecer que também falham! Como nós, pobres e limitados mortais!!

 

Miriam Halpern
Psicologa e Psicanalista
Mestre em Disturbios do Desenvolvimento
mhalperng@gmail.com